Rui Rio respondeu a 45 perguntas de jovens militantes, esta terça-feira, no Mercado de Santa Clara em Lisboa, uma iniciativa inserida nas comemorações do 45.º aniversário da JSD. Uma conversa aberta e descontraída, na qual o Presidente do Partido recordou alguns momentos marcantes, pessoais e políticos, da sua vida.

O líder do PSD começou por falar sobre a riqueza da língua portuguesa, uma das mais faladas no mundo. Referindo-se à recente visita ao Brasil, Rui Rio enalteceu os laços afetivos e históricos com o Brasil e os países lusófonos, razão pela qual Portugal deve cimentar uma cooperação mais profunda com os PALOP.

Rui Rio considera Sá Carneiro a personalidade política portuguesa que mais admira, pela sua “maneira de ser e simpatia pessoal e política”, ao mesmo tempo que reconhece “o inegável trabalho desenvolvido no País” por Cavaco Silva, durante os dez anos de governação.

Neste encontro, Rui Rio defendeu “medidas que discriminem positivamente o interior”, sendo que a maior preocupação é criar condições de atração de investimento, para criar e fixar empregos. “Não havendo emprego no interior, o que adianta? Temos de ser atrativos no investimento no interior. É mais importante a desconcentração do que a descentralização.  A descentralização pressupõe capacidade de decisão. A desconcentração é tirar dos grandes centros e passar para o interior”, apontou.

Rui Rio assinala que os serviços públicos são a “área em que o Governo mais tem falhado”, com uma “degradação” que não se lembra de ter visto antes, tanto “no Serviço Nacional de Saúde (SNS) como nos transportes, nos seis meses de espera para o cartão do cidadão ou na parte administrativa da Segurança Social”, além da “ausência sustentada de crescimento económico”.

Mostrando-se um “defensor das juventudes partidárias bem orientadas no bom sentido”, Rui Rio afirma que as estruturas partidárias devem ter uma “componente de formação política mais forte”.

O Presidente do PSD saudou o ativismo dos jovens nas questões climáticas, “para mudar determinadas atitudes e até para cancelar determinados investimentos”. “Antes do PSD, as questões ambientais eram vistas como questões de esquerda. Eu achava isto disparatado, sempre achei um assunto sério”. Rui Rio diz que “deveriam ser os mais velhos a ter sentido de responsabilidade”. No entanto, são “os jovens a sensibilizar os mais velhos para defender o Planeta”.

Num registo mais pessoal, Rui Rio confidenciou que atinge “a máxima força” durante a tarde e reconhece que o “maior defeito é a sua maior qualidade também – “uma certa e excessiva inclinação para o rigor” – enquanto o prato predileto é “lampreia à bordalesa, que se come três vezes no ano”, assumindo ainda como ‘guilty pleasure’ o açúcar, “coisas doces”.  A sua forma de estar na política assenta nos seguintes valores: “seriedade intelectual, coragem e competência, o que, no conjunto, dá credibilidade”.

Rui Rio elege como “dia mais feliz” da sua vida o dia em que terminou o curso de Economia, no Porto, quando “saiu a última nota” e terminou com “um alívio tremendo”. Só não elege o nascimento da filha como o acontecimento mais feliz, porque esse momento gera-lhe um “mix feeling”: “de grande felicidade e ao mesmo tempo de dúvidas e de responsabilidade”. “Será que ela [minha filha] vai ser feliz?”, interrogou-se na altura.

O Presidente do PSD espera repetir o plano de férias habitual, com a família, na sua “casa na margem sul do rio Lima (Viana do Castelo)”, embora este ano tenha de ser necessariamente menos tempo, em virtude do calendário eleitoral.

A JSD Talks é uma rubrica do JSD Podcast e teve transmissão em direto nas redes sociais. Pode rever a sessão aqui.