Rui Rio considera “pouco crível” que o Primeiro-Ministro desconhecesse o encobrimento sobre o furto de equipamento militar de Tancos. “Eu acho que é pouco crível que um ministro, seja ele qual for, não articule aspetos desta gravidade com o Primeiro-Ministro, ainda assim eu nunca poderei dizer mesmo se ele sabia ou não”, afirmou Rui Rio.

Em conferência de imprensa, nas Caldas da Rainha, esta quinta-feira à tarde, Rui Rio entende igualmente como grave “a hipótese” de António Costa não saber, já que tal indicaria que havia ministros que não informam o Primeiro-Ministro de tudo aquilo que “de relevante e grave” se passa no respetivo Ministério. Para o líder do PSD, este caso demonstra desorientação na coordenação do Governo. “O que se terá passado ao longo desses quatro anos dentro do Governo que o Primeiro-Ministro não soube e o que poderá acontecer de importante no futuro, num governo presidido pelo dr. António Costa, que o dr. António Costa pura e simplesmente não saiba?”, interrogou.

“O ministro da Defesa não articula com o Primeiro-Ministro? Articula com o presidente da Concelhia do PS do Porto e não articula com o secretário-geral e o Primeiro-Ministro do governo a que ele pertence?”, insistiu.

Depois de ter lido o relatório da acusação do Ministério Público, Rui Rio admite que nem tudo possa ser verdade, “mas seguramente nem tudo é mentira”. “Um governo não pode funcionar assim”, sintetizou.

Rui Rio criticou ainda o relacionamento entre o ministro da Defesa e o grupo parlamentar do PS, por causa da tentativa de “branqueamento” por parte de um deputado do PS, que “procurou ajudar a ocultar a verdade”.

O Ministério Público acusou 23 pessoas, entre elas o ex-ministro da Defesa no caso do furto e da recuperação das armas de Tancos.