No encerramento no debate do Programa do XXII Governo Constitucional, esta quinta-feira, o Presidente do PSD afirmou que não seguirá uma política de “bota-abaixo”, mas alertou para as exigências que serão feitas pelos partidos à esquerda para um futuro “casamento orçamental” com o PS. “Não estaremos aqui para destruir, nem para criticar tudo o que os outros possam fazer. A política do bota-abaixo carece de inteligência e é própria de quem não se move pelo interesse público, mas sim pelo seu interesse individual ou partidário”, destacou.

Num discurso onde Rui Rio apontou o fracasso dos socialistas em áreas como a justiça, a saúde ou os serviços públicos – “as nódoas mais escuras da governação socialista” – Rui Rio disse duvidar da execução de algumas intenções expressas no programa do Governo, antevendo que será na proposta de Orçamento do Estado que se perceberão as opções da ação governativa. “Até porque o que os orçamentos terão de ter, que este programa não precisa de consagrar, são as exigências que a anunciada noiva fará para aceitar o casamento orçamental”, sublinhou.

Para Rui Rio, “seja num simples namoro ocasional de apenas um ou dois anos, numa união de facto mais ou menos assumida ou num casamento sólido e duradouro”, o “enxoval” do Governo terá de ter como contrapartida “a felicidade desta exigente noiva”. “Uma nubente cara que, seguramente, exigirá do seu companheiro socialista alguma ginástica financeira com o magro rendimento de que dispõe, agora que já não viveremos tempos de grande euforia económica”, disse.

Rui Rio criticou igualmente a falta de aposta nas políticas de apoio ao crescimento económico e no “reforço da competitividade da nossa economia”. “A probabilidade de que Portugal possa, de forma relativamente rápida, ter um nível de vida coincidente com a média comunitária, só poderá existir na mesma medida em que existe a probabilidade de se acertar na lotaria do Natal”, ironizou.

O Presidente social-democrata lamenta que “um Governo sustentado no Parlamento por partidos de ideologia comunista, consiga olhar para os empresários como agentes criadores de emprego e de riqueza, fugindo à lógica dos seus pares, que sempre os tendem a ver como os detentores do capital que oprime a classe operária e alimenta a luta de classes”.

O líder do PSD lamenta também a desvalorização do ministério da Agricultura e diz que faltam medidas na justiça. “No setor da justiça, onde as carências abundam e onde a eficácia não existe – após uma legislatura marcada essencialmente pela injustiça relativa do aumento dos salários dos magistrados – a esperança de podermos caminhar para uma justiça mais célere, mais transparente e mais eficaz parece ter de ser guardada no fundo do baú à espera de melhor oportunidade”, referiu.

A terminar a intervenção, o Presidente do PSD reiterou a sua forma responsável e movida exclusivamente pelo “interesse público” de estar na política. “O PSD move-se pelo interesse nacional. Por isso, obedeceremos sempre à razão e enfrentaremos sempre a realidade com coragem e verdade. São elas que nos devem nortear na ação política. Seremos, pois, em obediência ao mandato que o povo nos conferiu uma oposição construtiva – mas dura, incisiva e implacável para com as falhas da governação. Porque é assim que honramos o nosso mandato e que melhor servimos Portugal”, concluiu Rui Rio, aplaudido de pé por toda a bancada parlamentar do PSD.