Rui Rio considera “grave” que o PS venha agora anunciar que fará da saúde “joia da coroa” na próxima legislatura, quando nos últimos quatros anos o Serviço Nacional de Saúde se degradou de forma “brutal”. “Todos nós sabemos que o Serviço Nacional de Saúde está hoje muito pior do que estava há quatro anos. Quando o Governo vem dizer que investiu ou gastou mais dinheiro no Serviço Nacional de Saúde, então é grave. O que seria menos grave era dizer: nós cortamos muito, cortamos demais e agora vamos deixar de fazer isso. Não. O que ele diz é: nós até pusemos lá mais dinheiro. Então nós temos de perguntar: então pôs mais dinheiro e o serviço ainda está pior?”, interrogou.

O líder do PSD questiona a desfaçatez do PS para prometer aquilo que não fez nesta legislatura. “O Governo está lá há quatros anos, degradou de uma forma brutal, agora dá um bocado o braço a torcer. Diz que está mal e que vai ter de pôr bem, mas não diz como é que vai pôr bem. E, da mesma maneira que fez, não dá”, afirmou.

Rui Rio comentava assim o estudo da Organização Mundial de Saúde que indica que Portugal é um dos quatro países que menos investiu em saúde entre 2000 e 2017 (menos de 0,2% do PIB foi investido em saúde pública).

O Presidente do PSD, que participou esta quarta-feira num debate promovido pela Confederação do Comércio e Serviços (CCP), no Porto, acusou também os socialistas de “falta de rigor” nas contas do seu programa eleitoral e que traduz um desvio de 800 milhões de euros face ao Programa de Estabilidade para 2019. “Há realmente uma falta de rigor. O próprio quadro macroeconómico do Partido Socialista não existe, é uma coisa que eles vão falando daquilo que foi o Programa de Estabilidade que foi apresentaram e agora começam a fazer promessas a mais e vão ajustando o quadro, ou seja fazem do fim para o princípio”, defendeu.

Rui Rio diz também que “o Partido Socialista” está recuar nos “compromissos eleitorais” e sente a necessidade de aproximar-se ou de copiar as propostas do PSD. “Dou um exemplo pequenino que é o Erasmus do Interior,(…) mas isto tem vindo a acontecer e não só com o PS. Até o próprio Bloco de Esquerda disse que anda perto da social-democracia. Isto comprova que aquilo que nos temos vindo a dizer tem sustentabilidade, é equilibrado, tem aceitação junto das pessoas, porque se não tivesse os outros não vinham copiar”, afirmou.

Sobre o descongelamento da carreira dos professores, Rui Rio entende como “inevitável” um conflito com docentes, caso o PS vença as eleições. Rui Rio deixa a garantia de que com um governo do PSD a questão das carreiras será encarada com “muito cuidado” e analisada no contexto das demais carreiras especiais da função pública. “O País não pode dar o que não tem e isso eu não posso prometer. Agora posso prometer respeito e negociação no sentido do equilíbrio. Esperemos que a outra parte também tenha equilíbrio”, concluiu.