Rui Rio afirma que são “as políticas do Governo” que vão determinar “o sucesso ou insucesso da recuperação do País”. Intervindo no debate no Estado da Nação, a partir da tribuna, o Presidente do PSD entende que “desta vez, não há margem para falhar nem margem para adiar”. “O Governo não é responsável pela existência da covid-19 e dos seus efeitos devastadores na nossa sociedade, mas é responsável pela resposta que estiver capaz de dar a esses mesmos efeitos. É da responsabilidade da pandemia a queda brutal do nosso crescimento económico, mas serão as políticas do Governo que determinarão o sucesso ou insucesso da recuperação do País. Dito de outra forma, que poderão conduzir a um maior ou menor sofrimento das pessoas no curto e, principalmente, no médio prazo”, apontou.

Rui Rio critica os “dois monstros de dimensões gigantescas”, a TAP e o Novo Banco, que fragilizam “as nossas finanças públicas”. “No Novo Banco não se entende como o Governo entrega recorrentemente milhões de euros dos nossos impostos, sem cuidar de analisar ao pormenor a justeza desses pagamentos e a razoabilidade das perdas invocadas. Perdas que o banco apurou na venda de imóveis, precisamente em tempo de forte alta do mercado imobiliário. O Novo Banco deve ter sido o único proprietário em Portugal que, nos anos imediatamente anteriores à pandemia, vendeu imóveis a perder dinheiro”, disse.

Por essa razão, defende Rui Rio, o Ministério Público “deve debruçar-se sobre como tem vindo a ser executado o contrato de venda do Novo Banco à Lone Star”, porque têm existido “transações eticamente muito questionáveis e que carecem de pormenorizado esclarecimento”.

Sobre a TAP, o líder social-democrata lembra que a companhia aérea “é uma empresa falida” e “não foi capaz de apresentar um plano de negócios, apenas pediu o dinheiro e o Governo decidiu entregar de forma temerária 1.200 milhões de euros”.

Outro exemplo da incapacidade do Governo foi a “falha” de explicar a realidade sanitária portuguesa no exterior, o que contribuiu para que Portugal ficasse de fora dos corredores aéreos, com consequências negativas para o turismo.

O Presidente do PSD pede ainda exigência ao Governo na gestão dos fundos comunitários que vão chegar da União Europeia. “Temos de ser capazes de transformar, com a enorme ajuda dos fundos europeus, a ameaça que sobre nós tem pairado, numa oportunidade de modernização da nossa sociedade e de reforço da nossa competitividade”, insistiu.

Rui Rio reafirma a urgência de Portugal ter “serviços públicos de maior eficácia, de molde a servir melhor as pessoas”; ter “uma Justiça mais célere, mais moderna e mais competente; e de apostar no “investimento público com forte poder de arrasto e grande efeito multiplicador para ajudar à retoma económica, para ajudar a reforçar a competitividade da nossa economia”, em especial as pequenas e médias empresas.

“A pandemia com que o País se confronta é um fenómeno altamente negativo e prejudicial para todos nós. Todos preferíamos que tal não tivesse acontecido. Mas tendo acontecido, temos de ser capazes de reagir da forma mais eficaz e mais competente que estiver ao nosso alcance. (…) Saibamos extrair da situação que vivemos o que de positivo ela nos pode trazer e ultrapassar com trabalho, sabedoria e seriedade as graves dificuldades que ela nos coloca”, concluiu.