Rui Rio explicou as duas prioridades do programa macroeconómico apresentado na semana passada pelo PSD: reduzir a carga fiscal sobre as famílias e empresas e estimular o crescimento através das exportações. “O nosso quadro macroeconómico é o quadro que decorre do Conselho de Finanças Públicas e só introduzimos as variantes das nossas políticas que, no concerne às empresas, estas têm de promover mais exportações e mais investimento”, afirmou.

Em entrevista à TVI, esta segunda-feira, o Presidente do PSD considera exequível baixar 3,7 mil de milhões de euros em impostos e reforçar o investimento público em 3,6 mil milhões de euros. “O desafio aqui que temos é controlar muito bem a despesa corrente”, especificou, sublinhando que tal implica “uma otimização de serviços”, que pode levar à realização de auditorias de gestão aos departamentos mais gastadores.

Rui Rio lembra que o modelo seguido pelo Governo está condenado. “Nós temos tido um modelo de crescimento económico muito mais assente no consumo do que na produção. (…) Melhores empregos e com melhores salários, nós temos de ter uma economia mais competitiva. Para termos uma economia mais competitiva, temos de ter políticas públicas que ajudem as empresas a ser mais competitivas. A questão fiscal, a questão da desburocratização da carga fiscal, a questão de políticas centradas no apoio às empresas exportadoras e, fundamentalmente, ao investimento e à capitalização das empresas é absolutamente vital. Por isso é que pomos o IRC um bocadinho mais à frente do que o IRS, que também desce, e o IVA e o IMI, porque é isso que nos garante melhor o futuro. E é isto que nos distingue do PS”, destacou.

Nesta entrevista, Rui Rio insiste que não é compatível o Governo prometer que vai baixar impostos e, simultaneamente, manter uma solução que aposta no aumento da despesa. “O PS e particularmente a solução do PS, que assenta no PCP e no BE, não pode fazer isto. Nem que o Primeiro-Ministro venha dizer que agora vai fazer, ele não pode dizer o que disse recentemente. Tinha dito que não reduzia a carga fiscal e agora que o faz.  Ao mesmo tempo diz que repete a solução à esquerda”, referiu.

O líder do PSD acrescenta que o único caminho é o controlo da despesa. “Não podemos aumentar a despesa desta maneira. (…) O caminho é este, não é o caminho seguido pela esquerda. Não é o que tem sido seguido pela esquerda, de mais impostos e mais despesa. Onde vamos parar com mais despesa e mais impostos?”, interrogou.

Rui Rio criticou ainda a deterioração e desorganização dos serviços públicos, mesmo quando o Governo anuncia a contratação de mais funcionários. “O Primeiro-Ministro diz que meteu não sei quantos milhares funcionários públicos. Se meteu não sei quantos milhares funcionários públicos e os serviços estão piores, então o problema não é só mais funcionários públicos e mais dinheiro. (…) O nível de desorganização e de desperdício nos hospitais é incrível”, apontou.

O Presidente social-democrata revelou ainda que, durante a elaboração do programa eleitoral, foi debatida a questão da passagem para as 40 horas de trabalho semanais, e a posição do PSD é manter as 35 horas na função pública.