No debate com o secretário-geral do PCP, esta quinta-feira, Rui Rio estabeleceu como objetivo liderar um governo que tenha “força para fazer as reformas” necessárias para mudar o País. No domínio laboral, o líder do PSD, embora discorde da redução das 40 para as 35 horas, entende que a medida introduzida no setor público deve ser estendida ao setor privado, desde que “o desenvolvimento económico” permita essa convergência.

Em termos de política salarial, Rui Rio questiona a desigualdade salarial nas empresas. “Eu entendo que não é moral, não é correto, haver empresas em que a administração ou a direção de topo ganha muitíssimo mais que os trabalhadores que estão no fundo da tabela. É evidente que tem de haver uma diferença, porque o contributo que cada um dá para aquilo que é o produto da empresa é maior. (…) Mas tem de haver limites”, referiu.

Para contrariar o espectro da recessão demográfica, Rui Rio insiste na realização de políticas promotoras da natalidade e apoiadas por fundos comunitários, através da universalização de uma rede nacional de “creches tendencialmente gratuitas”, do alargamento do abono de família para as famílias mais carenciadas, com uma majoração para o segundo e terceiro filhos e para quem viva no interior, e da extensão da licença parental para os casais. “O abono de família é um direito da criança, não comecemos logo a criar uma situação de desigualdade”, apontou.

Na saúde, Rui Rio retoma uma das propostas do PSD para este setor: a complementaridade entre o público e setor privado e social, “se fizerem mais e melhor” com o mesmo ou menor orçamento, e a introdução de critérios de gestão eficiente nos hospitais. “O Serviço Nacional é público e tem de continuar a ser público. Aquilo que nos diferencia do PS, do BE e do PCP, daquilo que foi a aprovação da Lei de Bases da Saúde, nós entendemos que se os privados estão capazes de gerir um hospital, com o mesmo orçamento, de fazer mais e melhor, ou até com menos orçamento de fazer mais e melhor, por que é que hei de dizer que não?”, sublinhou.

Neste frente a frente na RTP, Rui Rio diz que, nas eleições legislativas de 06 de outubro, os portugueses terão de escolher entre “o partido que induz mais crescimento económico”, o PSD, e as forças políticas que “desequilibram a economia”, os partidos de esquerda.