Rui Rio apresentou esta terça-feira, na sede nacional, em Lisboa, o Conselho de Opinião do movimento PSD 4.0 – Reforma do Sistema Político, Sistema Eleitoral e do funcionamento do PSD, órgão consultivo formado por juristas, académicos e personalidades dos mais diversos quadrantes.

Numa conferência de imprensa esta terça-feira, Rui Rio referiu que é necessário refletir sobre “a forma de eleição dos deputados, o funcionamento dos partidos políticos e a lei autárquica que não é mudada desde 1976”. Em concreto, Rui Rio explicou que é “altamente prioritário a revisão do sistema político” e que passa pela criação de círculos mais restritos. “A eleição dos deputados pelos círculos distritais estava bem em 1976. Só que, entretanto, foi ultrapassada pelo tempo. (…) Podem ser círculos mais pequenos, não termos círculos, como em Lisboa, com 50 deputados, ou no Porto com 30 deputados, e dizer que os círculos têm no máximo 10 deputados. Uma das possibilidades é partir os grandes centros e haver mais círculos com menos deputados”, sublinhou.

O Presidente do PSD revelou que o programa eleitoral das legislativas irá conter propostas para “aproximar os eleitores dos eleitos”.

O Conselho de Opinião, que deverá apresentar conclusões até ao final de julho, é liderado por Francisco Pinto Balsemão, e integra outras 15 personalidades: Pedro Rodrigues, Alberto João Jardim, Ângelo Correia, António Maló de Abreu, Francisco Pereira Coutinho (FDUNL), Gonçalo Matias (UCP), João Bosco Mota Amaral, Lina Lopes (MSD), Marta Santos Vieira (Universidade Lusófona), Nuno Garoupa (George Mason University), Nuno Sampayo (IEP-UCP), Paulo Rangel (UCP), Paulo Mota Pinto (FDUC), Pedro Fontes Falcão (ISCTE) e Paulo Cunha (Braga).

Francisco Pinto Balsemão: permitir “um envolvimento mais direto na eleição dos representantes no Parlamento”

Francisco Pinto Balsemão diz que é preciso “encontrar uma solução aceitável e que permita às pessoas um envolvimento mais direto na eleição dos seus representantes no Parlamento”. A missão do Conselho de Opinião do movimento PSD 4.0 é, segundo Pinto Balsemão, “dar uma contribuição para o programa do Partido nas próximas eleições”.

Numa altura em que “a democracia é tão atacada”, o antigo Primeiro-Ministro apelou aos eleitores para que “não acreditem nem nos populismos de direita, nem de esquerda” e “não acreditem na meritocracia como forma de substituir a democracia”. “Isso é que tem de ser o empenho de todos os partidos políticos. E o PSD, mais uma vez, pode e vai dar o exemplo”, afirmou.

O militante número um assinala ainda que existe uma crise do sistema político, mas não se trata nem “de direita, nem de esquerda”. “A crise não é de direita, nem de esquerda, a crise é realmente de um sistema político que, em muitos aspetos – este é um deles –, está ultrapassado e precisa de conquistar o apoio popular e a vontade das pessoas de participarem e perceberem que a democracia é de longe o melhor sistema político em que podemos viver”, declarou.