Na Festa do Chão da Lagoa, a maior iniciativa de mobilização que o PSD organiza no plano nacional, Rui Rio foi recebido, este domingo, nas serras sobranceiras ao Funchal por milhares de militantes e simpatizantes, esteve acompanhado pelo líder regional e presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, e pelo fundador e antigo líder do PSD da Madeira, Alberto João Jardim.

Numa intervenção de cerca de 20 minutos, Rui Rio insistiu que o caminho é governar o País com “menos impostos, com melhor serviço público, com melhor organização no Serviço Nacional de Saúde, onde as pessoas tenham a possibilidade de mais rapidamente ter a consulta de que precisam, de terem a operação de que precisam e de terem o médico de família de que precisam, [porque] há quase 800 mil portugueses que não têm médico de família”.

Rui Rio diz que o PSD tem dois objetivos “muito importantes” a atingir: ganhar as eleições regionais a 22 de setembro e vencer as legislativas de 06 de outubro. “Um objetivo é manter, aqui, na Madeira, a boa governação que desde sempre a Madeira tem e que trouxe este patamar de desenvolvimento e, a seguir, é no dia 06 de outubro, com a ajuda dos votos dos madeirenses, que Portugal seja capaz de fazer um governo novo, um governo que desenvolva Portugal tal como a Madeira foi desenvolvida e um governo que tire da esfera do poder o PCP e o BE”, assinalou.

Rui Rio alerta que a atual solução governativa, que teve o apoio parlamentar do PS, PCP e BE, não é experiência a repetir, porque o Governo “promete agora o que não fez em quatro anos”. E, por isso, “ninguém deve ficar em casa”, porque se assim acontecer “isso pode significar ter o PCP e o BE na esfera do poder”.

O Presidente do PSD garante que, no dia de publicação do Orçamento de Estado para 2020, a questão do subsídio social de mobilidade entre a Madeira e o continente será finalmente resolvida.

Rui Rio elogiou a obra do ex-presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, e do atual presidente, Miguel Albuquerque, salientando que “em equipa que ganha não se mexe”. “É necessário procurar uma solução de governo que consiga fazer à escala nacional aquilo que na Madeira há muitos anos se faz, que é desenvolver o país, conseguir baixar a carga fiscal, que o Governo subiu, subiu, subiu para um patamar como nunca se viu na história de Portugal, e, em paralelo com mais impostos, tem piores serviços públicos”, apontou.

Alberto João Jardim: Rui Rio é um “dirigente partidário que pensa no longo prazo”

O ex-presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, declarou que Rui Rio é um dirigente partidário “diferente” dos outros, porque pensa a “médio e longo prazo”. “Rui Rio é um dirigente partidário um pouco diferente do habitual”, começou por dizer ainda antes da chegada do líder do PSD à Herdade do Chão da Lagoa.

Alberto João Jardim lembra que “normalmente em Portugal os dirigentes partidários só pensam em votos e ganhar eleições, [mas] o projeto do Rui Rio é um projeto de médio e longo prazo, porque primeiro está o Estado e depois o partido”, destacou, recordando que só Francisco Sá Carneiro fazia o mesmo.

Miguel Albuquerque: “a autonomia da Madeira é dos madeirenses”

Miguel Albuquerque, que encerrou a fase dos discursos da Festa do Chão da Lagoa, referiu-se à importância de manter a esquerda afastada do governo regional na Madeira. “Não vale a pena meter a raposa no galinheiro. Os madeirenses não podem eleger partidos comunistas e socialistas anti-autonomistas para preservar a autonomia”, disse, acrescentando que é “suicidário” pensar em crescimento económico e estabilidade social com uma geringonça no executivo.

Miguel Albuquerque insiste que o PS vai perder as eleições no arquipélago porque “ninguém é masoquista”, e rejeitou a proposta socialista para criar um conselho de concertação das autonomias. “É o que faltava. A autonomia da Madeira é dos madeirenses, a autonomia tem órgãos próprios, tem a Assembleia [Legislativa] e tem o governo”, disse.

Miguel Albuquerque afirma que é sempre uma “grande honra” ter o líder nacional do partido na Festa do Chão da Lagoa, encarado como um momento de “mobilização, unidade e demonstração de força” do PSD. “Vamos ganhar porque o nosso povo é um povo lúcido”, ressalvou Miguel Albuquerque, concluindo: “O nosso povo conhece a sua história, sabe que Madeira foi durante mais de 500 anos discriminada e explorada pelo poder colonial de Lisboa, sabe que nós, em duas gerações, o nosso partido, os sociais-democratas, transformaram uma das regiões mais atrasadas da Europa e de Portugal numa das mais desenvolvidas e prósperas”.