“Frontalidade”, “garra” e “coragem” são traços de personalidade que Rui Rio reconhece em Francisco Sá Carneiro, em contraposição com aqueles políticos que apostam tudo na encenação partidária. “O que se passou nos últimos dias por parte do Governo foi o contrário disto que o doutor Sá Carneiro valorizava e defendia. Não estou a ver o dr. Sá Carneiro a ensaiar um golpe de teatro e a demitir-se de Primeiro-Ministro, porque lhe dá jeito para encenar uma tática partidária. Era um homem de Estado”, afirmou Rui Rio, no arranque das comemorações do 45.º aniversário do PSD, com a exibição do filme “Snu”, em Matosinhos, esta segunda-feira.

“Espero que estas características continuem vivas, particularmente numa época na política em que estas mais falta fazem, são mais escassas, logo têm um valor maior, são mais valorizadas”, destacou Rui Rio, lembrando que há “rigorosamente 45 anos que Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Magalhães Mota fizeram uma conferência de imprensa numa sala pequenina em Lisboa”, para lançar “o partido mais português”.

“Esses traços de personalidade são a raiz do PSD. (…) A nossa cultura perdura no tempo, sofre ajustamentos. A nossa matriz continua e passa de pais para filhos. A questão da frontalidade, da convicção, da seriedade, material e imaterial, garra e da coragem, tudo isto é o que o PSD mais aprecia”, observou.

Rui Rio descreveu o PSD nos primórdios da fundação. “Sá Carneiro quis pedir a adesão do PPD à Internacional Socialista, onde estavam os partidos social-democratas, mas não entrámos, porque PS já lá estava e proibiu. Então, o PSD era o partido mais português porque não dependia de ninguém lá fora”, considerou.

Rui Rio diz que compete agora ao PSD fazer as reformas necessárias para contrariar o desgaste que o País conhece desde o triunfo de democracia. “A opinião dos portugueses sobre os partidos é negativa. Compete-nos a nós alterar isso. É evidente que temos de nos adaptar, temos de adequar o partido ao momento moderno”, referiu.

Rui Rio, que elogiou e agradeceu a Amândio de Azevedo e a Miguel Veiga (já falecido), dois fundadores do PSD que “deram cara” em tantos desafios da vida do partido, apontou ainda outra “boa caraterística” do PSD: “um partido heterogéneo, que representava a classe média e a médias das classes”.

O cabeça de lista do PSD às eleições europeias, Paulo Rangel, elogiou também o legado Sá Carneiro: “Não tinha medo de dizer e de viver como pensava, a frontalidade na ação política, algo que no dia de hoje nos deve inspirar muito”.