Numa intervenção de cerca de 45 minutos como orador-convidado num almoço do American Club of Lisbon, esta quarta-feira, o Presidente do PSD traçou um diagnóstico pormenorizado sobre o País, apontando três tipos de estrangulamentos principais: económicos, políticos e sociais. Para Rui Rio, “se conseguirmos crescimento económico, nós temos condições para resolver” estes problemas. Ora, a taxa de crescimento atual é “anémica”, pelo que não permite trabalhar para alcançar um “superavit” orçamental. Rui Rio insiste que só com uma “taxa de crescimento económico razoável” é que Portugal pode tentar ter um excedente orçamental. “Se for anémico é muito mais difícil, porque esse ‘superavit’ pode vir a travar o crescimento económico”, apontou, lamentando que Portugal não tenha conhecido taxas de crescimento consistentes desde que aderiu à moeda única.

Rui Rio critica a falta de vontade e de coragem dos governos para fazer as reformas estruturais necessárias. “Ou nós somos capazes de fazer as reformas políticas que voltem a dar ao regime as virtualidades que tem dentro de si, ou ele vai pura e simplesmente desgastar-se”, alertou Rui Rio, que fez questão de precisar que está não só em causa o sistema político, mas também a justiça e o funcionamento do Estado-administração.

O líder do PSD diz que a reforma da justiça é demasiado séria e carece de “uma unidade entre os partidos”. “Nenhum Governo sozinho tem o peso político, mesmo que tenha maioria absoluta, não vai conseguir em circunstância nenhuma resolver estrangulamentos absolutamente estruturais que o País tem e que deixou levar a um ponto que, agora, nem um partido com maior absoluta consegue resolver. (…) O País tem de fazer efetivamente um dia uma reforma da justiça. Assim como tem de fazer a denominada reforma do Estado”, afirmou.

A reforma do Estado inclui a descentralização e a maneira como o Estado é gerido (a eliminação do desperdício). Rui Rio dá como exemplo a necessidade de reduzir da dívida pública. “Aquilo que tenho dito é que é vital para Portugal reduzir a dívida pública: a dívida pode ser reduzida de duas formas, uma é em termos relativos ao produto – que tem acontecido – outra é o valor absoluto, que tem aumentado. E para não aumentar não pode haver défice público”, declarou.

Rui Rio salienta que não basta “esperar por melhores dias”, é necessário lutar “por muitos melhores dias”. “Temos à nossa frente um potencial muito maior e é nossa obrigação lutar, em nome de nós próprios e, acima de tudo, pelos mais novos, por aquilo que estamos a fazer”, sintetizou.

O Presidente do PSD conclui que cabe aos políticos valorizar a questão da “governabilidade” e defender “o prestígio da política”. “A nossa obrigação é tomar as iniciativas para prestigiar a política, que é uma atividade nobre. (…) Os melhores da sociedade civil [devem] estar disponíveis. Hoje sabemos que não é assim, porque quem vem para a política, no dia em que mete o pé, já está semidesprestigiado e sob suspeita”, referiu.