Rui Rio considera que o Governo dificilmente evitará a tendência crescente para os médicos portugueses emigrarem, enquanto não aplicar a esses profissionais os mesmos aumentos remuneratórios que beneficiaram outras classes como é o caso, por exemplo, dos magistrados, já remuneratoriamente favorecidos pelo governo socialista. Para o Presidente do PSD, a questão dos médicos e, em parte, dos enfermeiros também, “tem a ver efetivamente com as condições de trabalho”, o que passa muito pela remuneração salarial, “mas não só”. Relacionando o exemplo dos médicos com o dos magistrados judiciais e do Ministério Público, o líder social-democrata questiona: “O que este Governo e o anterior fizeram foi aumentar de forma forte os magistrados, que já ganhavam mais do que todas as demais carreiras, e agora ainda vieram ganhar mais. O Governo está numa posição difícil para agora chegar aos médicos e dizer que não há dinheiro [para aumentos salariais]. Há dinheiro para os que já ganham mais e não há para os que ganham menos?”

Em Aveiro, este sábado, o Presidente do PSD alertou que “o Serviço Nacional de Saúde está longe de ser gerido como devia”, e que “muitas vezes o PS atira dinheiro para cima dos problemas”, sem, contudo, “otimizar os recursos disponíveis”.

O líder do PSD reitera que o SNS tem assistido a uma “degradação brutal”, pelo que é “completamente diferente um médico trabalhar num hospital bem equipado e organizado ou trabalhar num hospital que é uma barafunda total e onde faltam coisas”, mas reconhece que as diferenças no tratamento salarial de diferentes classes da função pública também pesam na insatisfação do meio clínico.

Ainda no sábado, o Presidente do PSD defendeu que o processo da descentralização não deve ser apressado. Para Rui Rio, a regionalização só deve ficar decidida através da realização de uma nova consulta popular. “Não me parece justo que algo que foi chumbado por referendo agora possa vir a feito sem ser por referendo”, disse.