Na tarde de domingo, em Buarcos, na Figueira da Foz, Rui Rio acusou o Partido Socialista de “baixar um bocado o nível”. “Para dançar o tango são precisos dois e, portanto, para a tensão crescer também são precisos dois (…). Eu não estou muito disponível para entrar nessa escalada, como se nota no Partido Socialista através de intervenções, por exemplo, do ministro Augusto Santos Silva agora, do presidente do PS, Carlos César”, afirmou.

Ao início da tarde, Rui Rio escrevera na rede social “Twitter” que “Santos Silva regressou ao seu estilo mais trauliteiro”, ao jeito de “gosto de malhar na direita” e que, sem contar “com a questão da proliferação dos próprios familiares em cargos públicos”, o ministro “baixou para o nível de Carlos César”.

O Presidente do PSD apontou que a postura do governante “não tem resposta possível”, uma vez que “são coisas atabalhoadas” e classificou as palavras de Santos Silva palavras como “um disparate sem grande conteúdo”.

Rui Rio referiu ainda que há “uma grande confusão” entre Mário Centeno ministro das Finanças e Mário Centeno candidato do Partido Socialista às eleições legislativas. “Aquilo que eu tenho reparado é que há uma grande confusão entre aquilo que é o Mário Centeno ministro e o Mário Centeno candidato a deputado”, disse.

Rui Rio considera que Mário Centeno “aproveita-se em larga medida do facto de ser ministro das Finanças para fazer intervenções que são mais próprias de quem é candidato a deputado, como ele é, neste caso pelo círculo de Lisboa”. “O professor Joaquim Sarmento responderá, seguramente com todo o gosto aquilo que são os ataques que o professor Mário Centeno tem feito por trás e não quer fazer assim cara a cara”, assinalou, lembrando que o ministro das Finanças recusou debater com o coordenador do CEN para as finanças públicas.

Em Buarcos, Rui Rio recebeu desejos de “força”. “Se eles continuam no Governo, qualquer dia ainda tem de ir de padiola”, respondeu o líder do PSD, em tom de brincadeira.

Em Coimbra, o eurodeputado Paulo Rangel, a cabeça de lista do PSD por Coimbra Mónica Quintela e o antigo autarca Carlos Encarnação acompanharam o Presidente do PSD num passeio que teve início no Largo da Portagem e prolongou-se pela baixa da cidade dos estudantes. Ao final da tarde, decorreu mais uma sessão de perguntas e respostas no Café Santa Cruz, na Praça 8 de maio.

Na sessão de perguntas e respostas, a cabeça de lista por Coimbra e porta-voz do CEN para a justiça, Mónica Quintela, questionou Rui Rio se compreendia que “determinada instituição” tinha razões para estar em desagrado com um Governo “que a tratou tão bem”, depois de um semanário ter noticiado que o PS acredita numa conspiração política do Ministério Público sobre o caso de Tancos. “O PS deu tudo o que havia para dar ao Ministério Público (…) Deu-lhes um aumento muito desigual relativamente às outras classes profissionais”, afirmou Rui Rio, comparando com salários como os dos generais das Forças Armadas ou os professores catedráticos.

Rui Rio elogiou a independência do Ministério Público: “Houve efetivamente um roubo, a partir desse momento, o Ministério Público tinha de abrir um inquérito, fazer a investigação e tinha prazos a cumprir, se a acusação não saísse quem estava preso tinha de ser solto”.

Durante a “talk” de Coimbra, e respondendo a uma pergunta sobre qual a principal razão que daria aos portugueses para votarem no PSD, Rui Rio voltou a eleger a coragem de “ser forte com os fortes”. “Para ter essa coragem é preciso ter desprendimento relativamente ao poder e isso não tenham dúvida que eu tenho. Eu não estou aqui por mim, estou aqui a prestar um serviço, isto é duro, isto é pesado, é mais cómodo estar em casa, e até se calhar ter um salário melhor, é mais cómodo”, enalteceu.

Nesta sessão, líder do PSD confidenciou algumas preferências mais pessoais: o prato preferido era lampreia à bordalesa; quando era criança, não apreciava farinha de pau, sobretudo de peixe; gosta de ouvir “blues” e toma alguns suplementos alimentares.