Rui Rio espera que a formação de um governo que terá o apoio maioritário da esquerda não impeça entendimentos mais amplos de médio prazo com outras forças políticas para concretizar as tão necessárias reformas estruturais. O Presidente do PSD, que falava no Palácio de Belém, em Lisboa, esta terça-feira, transmitiu ao Presidente da República a sua posição sobre a formação do futuro Executivo. “Espero, e isso transmitimos ao senhor Presidente da República, que o acordo que venha a ser firmado entre BE e PS não inviabilizem a possibilidade de haver entendimentos no futuro sobre essas matérias estruturais, porque isso é era importante para o País”, afirmou.

Rui Rio considera que, no plano parlamentar, são necessárias reformas sobre a descentralização, o sistema de justiça, o sistema político e a segurança social. Essas reformas, segundo Rui Rio, permitirão ultrapassar um conjunto de “estrangulamentos” que travam o nosso desenvolvimento coletivo. “Agora, não pode haver nenhuma reforma estrutural no País sem a colaboração dos dois grandes partidos, independente de os outros também poderem colaborar. E isso é que era bom para o futuro de Portugal, que não ficasse coartada essa possibilidade de o País poder mexer naquilo que é estrutural, tendo em vista o seu futuro”, declarou.

À saída de uma audiência de cerca de uma hora, Rui Rio recordou que, durante a campanha eleitoral, antecipou que o PS iria procurar novamente apoios à esquerda para governar e mostrou-se convicto de que “vai haver essa maioria à esquerda”, excluindo a hipótese de o PSD poder ser necessário para aprovar orçamentos.

A delegação do PSD, que foi recebida por Marcelo Rebelo de Sousa, incluía os vice-presidentes Isabel Meirelles e Nuno Morais Sarmento, o presidente do grupo parlamentar, Fernando Negrão, e o Secretário-geral, José Silvano.