Num encontro com centenas de autarcas social-democratas, esta terça-feira, em Fátima, Rui Rio insistiu na necessidade de Portugal fazer reformas estruturais para ultrapassar um conjunto de “estrangulamentos” que travam o nosso desenvolvimento coletivo. O Presidente do PSD considera que “só um novo modelo de desenvolvimento económico e social”, de melhores salários e com menos impostos, poderá gerar riqueza de forma sustentada. Durante 1 hora e 20 minutos, o Presidente do PSD respondeu às perguntas dos autarcas sobre os mais variados temas, em particular sobre saúde, sistema político, justiça, combate à corrupção, controlo orçamental, descentralização/coesão territorial e política externa, áreas que carecem de soluções orientadas por uma estratégia subordinada ao “interesse nacional”.

De acordo com Rui Rio, as reformas estruturais só serão possíveis com “acordos alargados”, pelo que não viáveis apenas com o apoio de “um único partido”. “O País tem estrangulamentos estruturais no seu funcionamento. O nosso desenvolvimento está condicionado por determinados estrangulamentos de ordem estrutural que temos de conseguir ultrapassar”, expressou.

O rumo que Portugal conheceu na presente legislatura é, segundo Rui Rio, insatisfatório, sobretudo pela ausência de uma “estratégia económica”, mesmo perante uma conjuntura externa favorável, com Portugal a beneficiar de taxas de juros baixas. “Se não conseguirmos que Portugal cresça mais e melhor, todos os outros problemas que temos serão muito difíceis de resolver e não criaremos riqueza para distribuir”, alertou.

Rui Rio admite que a “economia criou emprego”, mas de forma “precária” e assente em “baixos salários”. “Aquilo que temos de ser capazes é de criar empregos de perfil mais elevado, melhor emprego e melhores salários, isto não aparece por magia”, referiu, acrescentando que Portugal deve apostar nas empresas que “produzam bens transacionáveis” e com “conhecimento incorporado” para manter no País mão-de-obra qualificada. “Temos de ter uma estratégia de crescimento económico que leve a uma maior competitividade no País. Já tivemos isto, de forma notável, por exemplo, quando o eng. Mira Amaral foi ministro da Indústria, que na prática era ministro da Economia, que foi o melhor ministro da Economia que Portugal teve. Aí, a economia portuguesa deu um salto brutal em termos de competitividade”, disse.

Num segundo nível, Rui Rio defende a melhoria dos serviços públicos, que “pioraram substancialmente relativamente a 2015 com a governação do PS”. O Presidente social-democrata elege a saúde como um imperativo nacional. Nesse sentido, Rui Rio propõe o reforço de vagas em Medicina nas universidades e mais incentivos financeiros para os médicos se fixarem no interior e no Algarve, onde a falta destes profissionais é mais notada.

Rui Rio acusa o Executivo de António Costa de não cumprir a Constituição na questão do acesso universal dos portugueses ao Serviço Nacional de Saúde (SNS). “O nosso objetivo é melhorar os serviços públicos e em particular a saúde, que nos toca a todos direta ou indiretamente”, frisou.

O ambiente será a terceira prioridade de um futuro governo do PSD, “para se atingir a neutralidade carbónica o mais rápido possível”. “A luta contra o aquecimento global não renderá muitos votos. Agora a verdade é que, países grandes e países pequenos, e cada um de nós individualmente, têm a obrigação de contribuir contra o aquecimento global”, expressou.

Numa sessão moderada pelo presidente dos ASD, Hélder Sousa Silva, Rui Rio reafirmou que, para se lutar contra a corrupção, é necessário dotar o Ministério Público e a Polícia Judiciária de mais meios para uma investigação mais eficaz. O que não pode acontecer, na sua opinião, é andar-se “a passar por cima do princípio presunção de inocência” na praça pública. “A justiça tem de ser mais transparente e os julgamentos feitos nos tribunais. Sem justiça eficaz não há Estado de direito”, sublinhou.

Rui Rio discorda ainda da gratuitidade dos manuais escolares para todos os alunos, considerando que “não é justo” o atual modelo, assim como o fim das propinas no ensino superior. “Os manuais devem ser gratuitos para quem precisa”, sintetizou.

Neste encontro, Rui Rio elogiou o trabalho dos autarcas que, em “proximidade às pessoas”, procuram concretizar as melhores soluções para promover o bem-estar das populações.