Rui Rio diz que o PSD está aberto ao diálogo com outras forças partidárias e com a sociedade para encontrar as melhores medidas para travar a violência doméstica. “Queremos juntamente com os outros partidos e com a sociedade em geral encontrar as medidas que se revelem mais necessárias para travar a violência doméstica”, afirmou o Presidente do PSD, que falava à margem de um jantar com mais de 500 mulheres, em Oliveira de Azeméis, esta sexta-feira.

O líder do PSD entende que não se deve “partidarizar” esta matéria e os diplomas entregues pelo grupo parlamentar na Assembleia da República visam “melhorar a execução da lei no âmbito da violência doméstica”.

“Posso começar a dizer as medidas que o PSD propõe, mas quem me garante que medidas que o Governo, ou o CDS, ou o Bloco de Esquerda ou o PCP possam propor não tenham exatamente a mesma validade ou mais. Nós estamos completamente abertos a dialogar com os outros, porque isto não pode ser partidarizado”, afirmou.

Rui Rio defende ainda que o problema tem de ser resolvido antes de chegar aos tribunais, considerando que a GNR, a PSP, o Ministério Público, as escolas e os hospitais “não têm tido a atuação exata que devem ter para evitar ou travar essa violência”. “Quando chega ao tribunal, a violência está feita. Há só que castigar. Nós temos de atuar muito antes”, disse, mostrando-se também muito preocupado com a violência sobre os idosos e as crianças.

O Presidente do PSD considera que, sem dúvida, continua a haver razões para assinalar o Dia Internacional da Mulher, porque “ainda existem desigualdades decorrentes fundamentalmente de aspetos de ordem cultural”.

“A sociedade vai evoluindo. Hoje está melhor do que estava nesse espeto há dez anos, mas ainda não está como deve estar”, disse Rui Rio, defendendo que é preciso refletir sobre o que ainda falta cumprir para haver uma igualdade plena de oportunidades.

No início do jantar, todos os participantes cumpriram um minuto de silêncio pelas mulheres vítimas de violência doméstica.

Rui Rio: os portugueses estão a pagar “desmandos” do Novo Banco

O Presidente do PSD recorda que os portugueses estão a pagar os prejuízos acumulados do Novo Banco, contrariando aquilo que tem sido dito pelo Governo. “É evidente que ao contrário do que tem sido dito, aquilo que está a acontecer é o contribuinte português a pagar estes desmandos que houve ao longo dos anos no Novo Banco e não só”, expressou.

Para Rui Rio, do ponto de vista técnico, o que está a acontecer é um empréstimo do Estado ao sistema bancário, que, por sua vez, há de voltar a devolver o dinheiro. No entanto, subsistem dúvidas de que o Estado venha a recuperar essas verbas, adiantando que se isso acontecer “há de ser daqui por 30 ou 40 anos”.

“Portanto, obviamente que a esmagadora maioria vai pagar e está a pagar, porque se um dia este dinheiro for recuperado, que eu duvido, estarão cá os que hoje são mais novos, eventualmente”, explicou.

O Presidente do PSD lembra que quem desenhou a solução para o Novo Banco foi o atual Governo. “O plafond de cobertura de imparidades até quase quatro mil milhões de euros é desenhado por este Governo. Não foi desenhado pelo Governo anterior. Portanto, não pode este Governo atirar responsabilidades para trás que lhe cabem a ele”, observou.

Rui Rio admite que o Novo Banco possa pedir mais dinheiro ao Fundo de Resolução, até atingir o plafond dos 3,9 mil milhões de euros no âmbito do Fundo de Resolução.

Por isso, Rui Rio realça o papel da auditoria que foi agora anunciada para que se perceba se estas “imparidades” do Novo Banco devem ou não ser pagas. “A auditoria é fundamental. Não entendo é porque é que o Governo já não a mandou fazer antes, particularmente antes de vender o Novo Banco da forma como fez com estas garantias absolutamente brutais”, notou.

Conselho de Ministros funciona como uma “ceia de Natal”

O Presidente do PSD censura ainda o facto de o XXI Governo integrar vários membros da mesma família, comparando o atual Conselho de Ministros a uma ceia de Natal. Em três anos e meio, explicou Rui Rio, o Governo fez seis remodelações ministeriais, mudando 10 ministros e 21 secretários de Estado. “De cada vez que mudou, mais foi afunilando em torno da família socialista. Nunca houve um Governo em Portugal onde quando reúne o Conselho de Ministros parece a ceia de Natal: senta-se o marido e a mulher e, agora, também já se senta o pai e a filha”, observou.

Rui Rio entende que o PSD é a única alternativa a um Governo que, segundo o mesmo, tem andando a “enganar” os portugueses, porque diz apenas “meias verdades”. “Ouvimos o Governo dizer que tem tido uma excelente governação, porque criou mais emprego, e reduziram o défice público, mas falta dizer que são empregos de salários baixos e precários e a redução do défice foi feita à custa de cativações cegas e muito pouco prudentes”, declarou.

O Presidente do PSD destaca igualmente que nos últimos anos bateu-se o recorde da história de Portugal em termos de carga fiscal, adiantando que ao mesmo tempo, “nunca se degradou tanto os serviços públicos como agora”. “Temos o País onde pagamos mais impostos e ao mesmo tempo temos pior serviço público”, vincou.

Nesse sentido, refere Rui Rio, os partidos de esquerda, nomeadamente o PCP e o Bloco “não têm a legitimidade para dizer mal, como têm dito, do Governo que eles próprios suportam”. “Como é possível ouvirmos o PS, o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda a dizerem mal de si próprio e da coligação que estão a suportar. Dá ideia que o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda não têm nada a ver com aquilo que se passou. Têm tudo a ver, porque se eles não suportassem o Governo, este pura e simplesmente não existia”, sublinhou.