Rui Rio critica a forma como os incêndios foram combatidos em Mação, Sertã e Vila de Rei. O líder do PSD acusa o Governo de “assinalável desorganização” e “descoordenação completa”. “Houve uma assinalável desorganização no combate ao incêndio, quando eu pensava e todos pensavam e o ministro da Administração Interna tem dito que está tudo melhor desde os incêndios de 2017. As coisas poderão estar melhor, mas estão muito longe de estarem como deveriam estar”, afirmou.

O Presidente do PSD, que esteve esta segunda-feira no Centro Geodésico de Portugal, em Vila de Rei, onde reuniu com os autarcas dos três concelhos afetados pelos recentes fogos, constatou que “os meios de combate não foram otimizados”. “Os autarcas, como pessoas que tendo estado no terreno, puderam ver a forma como as coisas evoluíram e a descoordenação foi completa”, declarou, acrescentado que, por exemplo, “não se chega a saber que quantidade de refeições é que é necessária num determinado sítio porque não se sabe sequer quantos homens estão nesse sítio”.

Rui Rio lembra que o ministro da Administração Interna tem assegurado que “está tudo bem, coordenado e seguro”. “Se estivesse tudo bem, coordenado e seguro, não acontecia aquilo que aconteceu”, frisou.

O Presidente do PSD diz que, além da descoordenação há também questões de fundo que precisam de ser resolvidas, como é o caso do despovoamento do interior e a gestão da floresta em Portugal, considerando que “ninguém pode pedir ao Governo que resolva, no espaço de 30 dias, 60 dias, um ano ou dois anos” essas questões.

Sobre a compra dos `kits´ de proteção do programa “Aldeias Seguras”, Rui Rio considera o caso “gravíssimo”, defendendo um apuramento total de responsabilidades. “Se isto for verdade, tal e qual como está nas notícias, é gravíssimo. Não tem pés nem cabeças”, disse Rui Rio.

Para Rui Rio, a demissão do adjunto do secretário de Estado da Proteção Civil não significa que assunto fica resolvido. “Aquilo que já temos em cima da mesa é que há uma empresa constituída há muito poucos meses e que se dedica ao setor do turismo e que vende golas para usar durante os incêndios que são elas próprias inflamáveis”, salientou, apontando ainda que a empresa tem ligação a “um familiar de uma autarca do PS” e que as golas são vendidas a “preços superiores àqueles que são os preços de mercado”.

A propósito enquadramento jurídico para o crime de fogo posto, o líder social-democrata entende que é preciso “pensar bem qual a moldura penal que deve ser aplicada e a forma como os próprios tribunais aplicam a moldura penal”.

Estima-se que tenham ardido cerca de 9.500 hectares de floresta naqueles três concelhos entre os dias 20 e 23 de julho.