Rui Rio considera “inadmissível” que tenha havido gestores da banca em Portugal “que ganhavam fortunas” e depois assumiram responsabilidades “ao nível do porteiro”. Num encontro com jovens, numa discoteca junto ao rio Tejo, esta quarta-feira, o Presidente do PSD insistiu na realização de uma verdadeira reforma da União Económica e Monetária (UEM) para que não se repitam no futuro situações como “as do BES, do Banif ou da Caixa Geral de Depósitos”. “É absolutamente inadmissível que haja pessoas à frente da banca, administradores da banca, que ganhavam fortunas em salários, porque tinham cargos de enorme responsabilidade e, depois do que aconteceu, verificamos que a responsabilidade deles estava ao nível do porteiro que ganhava menos de mil euros por mês. A responsabilidade deles não era nenhuma”, afirmou.

Rui Rio diz que, se houver “escrutínio a sério do Banco Central Europeu”, não será possível que “se nomeie o colega do partido para a administração de um banco para ir para lá arranjar um esquema para assaltar a assembleia geral de um outro banco”.

Esta iniciativa da Juventude Social Democrata arrancou com Rui Rio e Paulo Rangel, que jantaram juntos num restaurante ao lado da discoteca, e percorreram algumas centenas de metros numa carrinha “pão de forma”, com o Presidente do PSD ao volante e o cabeça de lista ao seu lado.

O Presidente do PSD elogiou a qualidade dos candidatos social-democratas, referindo que, “se não tem super-homens e super-mulheres”, tem uma composição heterogénea para abranger as várias políticas do Parlamento Europeu e não vai “vender banha da cobra”.

No palco, em cadeiras altas e ambiente informal, Paulo Rangel e também Lídia Pereira, candidata às eleições europeias e líder da juventude do Partido Popular Europeu (YEPP), responderam a perguntas da assistência e às que chegavam através das redes sociais, numa sessão transmitida online. Se as perguntas dos jovens se centraram em torno dos temas europeus – as alterações climáticas, o “Brexit” e as taxas digitais –, também Rui Rio tinha questões para os candidatos, querendo saber de Paulo Rangel qual a principal diferença que encontrou entre os dois parlamentos, o europeu e o nacional. “O Parlamento Europeu funciona bastante melhor que o Parlamento nacional, do ponto de vista das condições de trabalho”, respondeu Paulo Rangel, apontando que os eurodeputados têm mais condições de “fazer a diferença” e têm “uma capacidade de trabalho maior”, devido ao maior número de assessores e acesso irrestrito a documentação. Pela negativa, o cabeça de lista do PSD apontou que os deputados europeus fazem um trabalho “com menos visibilidade” e que é “menos conhecido dos cidadãos”. “Um deputado europeu trabalha muito em políticas, mas trabalha menos em política”, resumiu.

O Presidente do PSD interrogou Lídia Pereira sobre como conjuga a ambição de viajar e trabalhar fora de Portugal com a vontade de criar raízes. “Essa pergunta carece de alguma reflexão. O padre António Vieira dizia há uns séculos: ‘Para nascer, Portugal: para morrer, o mundo’. E é nesse espírito que a juventude encara o desafio e as oportunidades que a Europa nos traz”, respondeu, garantindo que as suas raízes continuam em Coimbra, a terra natal, apesar de trabalhar como consultora em Bruxelas.

De microfone na mão, a líder da Juventude Social Democrata, Margarida Balseiro Lopes, foi a “mestre de cerimónias” do evento, começando por apresentar os resultados de um inquérito promovido pela JSD, com o tema “Conheces a Europa?”. De acordo com o inquérito online, realizado a 1755 jovens portugueses entre os 15 e os 30 anos, de ambos os sexos, Paulo Rangel é corretamente identificado como eurodeputado por 72% dos jovens. Apenas 7% dos inquiridos defenderam que o país deveria sair da União Europeia e o que mais valorizaram na pertença a este espaço comunitário é poderem trabalhar, estudar e viajar. Só 8% apontam os fundos europeus entre as suas principais preocupações.

“Caos” nos transportes fluviais no Tejo

Momentos antes, numa viagem de cerca de uma hora pelo rio Tejo e organizada Mulheres Social Democrata, o Presidente do PSD alertou para o “caos” nas empresas de transportes públicos fluviais (Transtejo e Soflusa), criticando o Governo de eleitoralismo. “Isto prova que a medida dos passes sociais, tendo sido uma boa ideia, e foi uma boa ideia, pretende que as pessoas andem mais de transportes públicos e mais barato foi tomada com fins eleitorais, sem se pensar” na falta de oferta, disse.

A bordo também do veleiro “Príncipe Perfeito”, Paulo Rangel elogiou a lista do PSD, que disse estar a “anos-luz” da do PS, afirmando que é “competente”, “com vários talentos” e “capacidades críticas” para Portugal e avançou com uma “meta ambiciosa”. “É uma meta ambiciosa, se nós elegermos nove deputados, teremos cinco mulheres e quatro homens”, disse, destacando a candidata número dois, Lídia Pereira, e a número quatro, ex-ministra Graça Carvalho.

Rui Rio: condecorações do Estado não devem ser “dadas ao metro”

O Presidente do PSD mostrou-se não só favorável à perda de insígnias nacionais ao empresário Joe Berardo, mas também sugeriu que se devia avaliar se há mais personalidades nas mesmas condições. “Concordo plenamente e até acho que devíamos alargar e ver se não estão mais alguns a jeito para acontecer coisa parecida”, especificou.

Para Rui Rio, as condecorações não devem ser “dadas ao metro e às vezes são dadas ao metro e ao quilo”, frisando que os cidadãos agraciados com as Ordens Honoríficas portuguesas “têm uma obrigação acrescida de um comportamento cívico positivo e equilibrado”. “Eu tenho diversas, tenho uma do Presidente da República português e compreendo que se eu agora fizer qualquer coisa que que não está segundo os padrões normais e valores éticos da nossa sociedade me deve ser retirada”, declarou.

Condenando a “audição absolutamente incrível” de Joe Berardo” no Parlamento, Rui Rio censurou depois o PS, afirmando que “é preciso ser cínico para se dizer que se está chocado com o que aconteceu no Parlamento com o Joe Berardo quando pelo menos com ele são culpados todos os que lhe emprestaram o dinheiro”. “Vemos diversos membros do Governo chocados com o desplante do Joe Berardo, mas eles não estão chocados com a decisão que o Governo do PS, liderado por Sócrates, onde estavam muitos ministros que hoje voltaram a ser ministros, de nomear uma administração da CGD que fez o assalto político ao BCP e foi isso que determinou em larga medida a dívida do Joe Berardo”, sustentou.

O líder do PSD lembra que o dinheiro não foi emprestado para “investir e dinamizar a economia”, mas sim para “ele fazer um assalto político a esse outro banco”, assinalando que “quem estão chocados são os portugueses que têm de pagar” o que Joe Berardo “agora não paga”.