É evidente que existe uma clara distância entre a realidade do país e propaganda do PS, PCP e BE que suportam o atual governo. A ideia de um país com contas certas e reposição de rendimentos choca com a enorme carga fiscal que engole a reposição de rendimentos e que não inclui nas contas o valor necessário para o funcionamento dos serviços do Estado.

O défice do Orçamento do Estado passou a ser usado como o único e exclusivo barómetro de governação pelo PS, ignorando por completo a falência dos serviços do Estado. No distrito de Setúbal, sente-se particularmente mais esta falência na saúde, transportes públicos e na educação.

É preocupante a ausência de médicos de família nos centros de saúde e a incapacidade de resposta dos hospitais. É frustrante a inexistência de transportes públicos que diariamente retiram horas de trabalho aos trabalhadores e empresas quer por falta de material circulante quer por falta de recursos humanos. E as escolas degradadas ou com obras inacabadas não criam o ambiente certo nem para os alunos nem para todos os profissionais envolvidos na educação.

Estamos com níveis de investimento nos transportes, na saúde e educação mais baixos do que no período da “troika”, diz o Eurostat olhando para as contas até 2017.

O que estes dados significam é que o défice existe, só que foi colocado nos serviços do Estado e muitas vezes aparece disfarçado com o nome “cativações”. O próximo governo vai herdar novamente um país falido, pelos mesmos governantes que nos conduziram à “troika”, a diferença é que a falência não está nos cofres, mas sim nos serviços do Estado com orçamentos que contam com o apoio do PCP e BE.

Neste contexto, é óbvio que o investimento no país tem sido essencialmente realizado pelo investimento privado. Mas não existiu nestes últimos quatro anos uma forma de potenciar as exportações e fomentar o investimento.

Até ao momento não está traçado qualquer plano relevante que potencie o acordo entre a UE e Mercosul, onde Portugal pode ser um país fundamental na estratégia destas duas regiões. Mesmo nos PALOP continuamos a precisar de uma estratégia que coloque estes países como um mercado, unido pela ligação cultural, que se posicione com linhas comuns no mercado global. São oportunidades perdidas para as empresas portuguesas.

Portugal precisa das empresas, mas o atual governo tem-las tratado como o parente pobre da economia, esquecendo que 96% das empresas existentes são micro ou pequenas empresas e que a estratégia económica do país deve refletir essa realidade, especialmente na forma como atribuí fundos comunitários através de um processo excessivamente burocrático e com a atribuição de fundos a exceder em muito o prazo acordado com as empresas. Estas condições têm um efeito mais penalizador para micro e pequenas empresas.

Neste contexto a própria distribuição de fundos comunitários, que representa mais de 80% do investimento público em Portugal, está condicionada a um mapa de NUT, que inclui a Península de Setúbal na Área Metropolitana de Lisboa e por esse motivo não tem acesso aos fundos comunitários necessários. Esta situação é grave para Península de Setúbal, porque o seu PIB por habitante (12.519 euros em 2015, dados do INE) coloca-a como a quarta região mais pobre do país que só está excluída do mais importante instrumento de investimento nacional porque se encontra incluída na região mais rica de Portugal.

O país não tem contas certas, porque as contas do PS excluem os servidos públicos e esquecem o investimento privado. O distrito de Setúbal e Portugal precisam de políticas que ajudem o motor económico do país e recuperem o papel do Estado junto dos portugueses.

Nuno Carvalho
Cabeça de lista do PSD pelo círculo de Setúbal