Paulo Rangel acredita que vai derrotar Pedro Marques, o “candidato virtual”, que “foge à rua, não quer ir aos mercados, não quer ir às pessoas, às feiras, e precisa de António Costa em todas as iniciativas”. “Tal como em 2009 ganhámos ao candidato Vital [Moreira], agora em 2019 vamos ganhar ao candidato virtual”, afirmou.

Num comício em Santa Maria da Feira, esta segunda-feira, Paulo Rangel censura Pedro Marques por ter desviado fundos destinados ao apoio às zonas de Pedrógão e Castanheira de Pera para “pagar computadores na Autoridade Nacional de Proteção Civil”. “No caso dos incêndios não se ficou por aqui: 26 milhões de euros foram desviados por Pedro Marques para despesas correntes da administração central. É esta competência, o exemplo, a sensibilidade social do governo de António Costa e, em particular, do seu cabeça de lista Pedro Marques, que tinha a responsabilidade deste fundo de solidariedade”, disse.

No dia em que o INE divulgou que a carga fiscal atingiu, em 2018, o valor mais alto desde 1995, representando 35,4% do Produto Interno Bruto, Paulo Rangel acusou o Governo de cobrar “impostos máximos” e de prestar “serviços públicos mínimos”. “Com mais impostos, com impostos com um nível que nunca existiu, com a garantia de que ainda vão subir mais para o ano, a pergunta que cada um tem de fazer é: e os serviços do Estado, que são financiados por esses impostos, estão melhor ou pior depois de quatro anos de Governo Costa e dos candidatos do PS às eleições europeias?”, interrogou.

Paulo Rangel apontou exemplos concretos da incapacidade do Governo: no Serviço Nacional de Saúde, com os piores resultados na saúde materno-infantil, na segurança de pessoas e bens, como os atrasos da reconstrução das casas destruídas nos incêndios de 2017. O eurodeputado acusou o Governo de “dar com uma mão” mais 10 ou 15 euros nos salários e pensões, para “tirar com as duas” em impostos indiretos. “Isto não são contas certas, são contas secretas (…). A recuperação de rendimentos é uma miragem: as contas não são certas, ou são secretas porque ninguém as vê ou não desertas porque são uma miragem no deserto”, afirmou, num discurso de 40 minutos, em que acusou o Primeiro-Ministro de ser “o grande artista da política portuguesa”.

Para o eurodeputado, personalidades como o comendador Joe Berardo existiram em Portugal “para que a Caixa Geral de Depósitos assaltasse o BCP, e a Caixa e o BCP ficassem nas mãos de gente próxima do governo socialista de José Sócrates”. “É que Berardo não caiu do céu, Joe Berardo não é uma invenção de si próprio. É uma invenção de uma conjuntura político-económica em que havia um governo que queria controlar a banca e o usou a ele. Agora dizem que é um produto tóxico, mas quando foi instrumental para tomar conta do BCP, o produto não era tóxico. Estava muito bem e nessa altura estavam ministros que ainda hoje estão no Governo de António Costa”, criticou.

Paulo Rangel diz que o empresário Joe Berardo “não foi uma invenção de si próprio”, mas de uma conjuntura em que “havia um Governo que queria controlar a banca”. “Nós não queremos mais ‘Berardos’ em Portugal”, declarou.

No comício de Santa Maria da Feira marcaram presença o secretário-geral do PSD, José Silvano, e o vice-presidente e líder da distrital do PSD de Aveiro, Salvador Malheiro, que desafiou os militantes e simpatizantes a “encarar as eleições europeias como se de autárquicas se tratassem”. “Temos a obrigação de falar com todos”, sublinhou, num apelo aos eleitores para que não se abstenham e para que votem no dia 26 de maio.