Rui Rio assegura que se for primeiro-ministro, tudo fará para baixar a carga fiscal, nomeadamente sobre as empresas. “Não vou subir [a carga fiscal] e tudo vou fazer para a descer”, afirmou o Presidente do PSD, esta segunda-feira, na iniciativa ECO Talks, promovida pelo jornal económico online, ECO, no Porto.

Considerando que o nível de impostos chegou a um “patamar brutal”, Rui Rio defende como prioritário a redução do IRC, apesar de reconhecer que alguns partidos, por razões eleitorais, optem por uma redução dos impostos sobre os rendimentos das pessoas (IRS). “A política fiscal tem de olhar para aquilo que é fundamental para as empresas em nome do futuro. Em nome da minha popularidade estava-lhe a dar uma resposta de que era o IRS que tinha de baixar imediatamente”, explicou.

Recorde-se que a carga fiscal atingiu em 2018 os 35,4% do PIB, o valor mais alto dos últimos 23 anos.

Numa conversa que durou cerca de uma hora, Rui Rio abordou dois temas que preocupam os cidadãos: a Caixa Geral de Depósitos e a evolução da economia. Destacando o papel da Caixa para o financiamento da economia, Rui Rio salienta que a Comissão de Inquérito ao banco público permitiu esclarecer sobre o papel do regulador. “Se a nossa opinião pelo desempenho do Banco de Portugal, e do ex-governadores e do atual governador, era má, penso que ficou um pouco pior ainda. Depois das prestações dos dois, sendo que o dr. Vítor Constâncio cometeu diversos erros, até que foi premiado para ir para número 2 do Banco Central Europeu. Mas ainda estávamos pouco sensibilizados para isso”, assinalou.

O líder do PSD lamenta as “muito estreitas relações entre alguns devedores e a CGD” e que potenciaram a má gestão e as imparidades no banco.

Rui Rio mantém reservas quanto ao futuro da economia, insistindo na necessidade de “apostar no futuro do País a médio e longo prazo e não na popularidade do Governo amanhã”. “Se digo que o crescimento económico é vital para conseguir as receitas para ter melhor saúde, melhores reformas, melhores transporte públicos, então tenho na hierarquia das minhas prioridades, na gestão da carga fiscal privilegiar a redução ou ajustamento, para mexer nas variáveis que me permitam ter isso”, disse.

O líder do PSD lembra que a dívida pública aumentou. “No fim de ano, a dívida vai ser 20 mil milhões de euros do que era em 2015, isto factual. Não há nenhuma redução da dívida. O mérito do ministro das Finanças é conseguir conter o défice, podia conter melhor, conter mais, era mais do meu gosto, conter mais e melhor, se não fosse mais pelo menos que fosse para fazer investimento”, apontou

Rui Rio critica também a degradação do Serviço Nacional de Saúde, pelo que a discussão neste momento em torno da nova lei de bases serve para “dar a aparência de que [o PS] está a fazer alguma coisa”, através de uma lei que “não terá consequências diretas pois é estratégica”.

Por fim, Rui Rio opõe-se à criação de impostos europeus, especificando que “isso vai contra a soberania dos países”, mas admite como justas “as taxas nas transições digitais” que incidem sobre “os gigantes da economia que têm uma tributação muito abaixo e níveis de rendibilidade muito grandes”.