O PSD questionou a ministra da Cultura a propósito do “modelo de atribuição de apoios, mas sem o financiamento adequado” para as artes. Num debate no Parlamento, esta sexta-feira, os deputados social-democratas contestam o “desnorte” e o “descalabro” da política cultural do Governo, que se revelam na ausência de projetos, de objetivos e de verbas, quando “a única coisa que sobra são uma série de promessas por cumprir”.

O grupo parlamentar social-democrata confrontou Graça Fonseca com a falta de investimento em diversas zonas do país, “uma realidade que resulta de quatro anos de apoio das bancadas da esquerda ao Partido Socialista”. “Os senhores deputados do PCP [que agendaram o debate] aprovaram os quatro Orçamentos do Estado apresentados pelo anterior Governo. A isto chama-se falta de responsabilidade, falta de seriedade e uma clara subserviência ao PS”, lembrou Fernanda Velez, deputada social-democrata,

Na mesma linha, Ricardo Baptista Leite, referiu que “quando se fala de cultura e das artes, a esquerda enche a boca e bate com a mão ao peito quando está na oposição, mas trata com os pés e com desprezo quando assume responsabilidades”.

“O Governo estancou a contestação mais visível, com a velha técnica socialista de distribuir cheques para disfarçar a sua incompetência, aumentando a iniquidade do programa. Depois tivemos de tudo: desde grupos de trabalho para melhorar o modelo, até à alteração das normas de atribuição de apoios financeiros. Mas, no dia 11 de outubro deste ano – convenientemente depois das eleições – foram publicados pela Direção-Geral das Artes os resultados provisórios do novo concurso. Foi esse o momento em que caiu a máscara ao Governo. Um concurso que deixou sem financiamento 75 das 177 entidades aprovadas pelo júri”, apontou Baptista Leite.

Carlos Silva, deputado do PSD, insurgiu-se, por sua vez, contra a “postura verdadeiramente cínica do Primeiro-Ministro ao mostrar-se surpreendido com os protestos, quando ele próprio é o primeiro responsável pelo subfinanciamento que se vive na Cultura”. E a prova, diz Carlos Silva, é os “0,2%” que o Governo destina no Orçamento do Estado para a Cultura.