Rui Rio considera que o PSD vai ter a vida “mais facilitada” nas eleições europeias, porque o PS escolheu para cabeça de lista o responsável que tutelou a área “mais fraca” do Governo. Numa intervenção de 45 minutos, na sessão de encerramento da Universidade Europa, este domingo, na Figueira da Foz, o Presidente social-democrata recorda que o agora cabeça de lista do PS às eleições de 26 de maio negligenciou por completo o investimento público. “Teremos um pouco a vida mais facilitada que o normal, porque o Partido Socialista não foi efetivamente feliz na escolha da sua lista. E não foi particularmente feliz na escolha do seu cabeça-de-lista [o ex-ministro Pedro Marques]. O símbolo daquele que tendo tutelado o investimento público, durante todo o tempo em que foi ministro, tutelou a área mais fraca do Governo, que tem uma performance perto de zero”, apontou.

Perante 70 jovens militantes e simpatizantes da JSD, Rui Rio criticou a incapacidade de Pedro Marques, precisamente o ministro que “que criticava o Governo anterior, porque não se fazia investimento público”. “E é este Partido Socialista que diz ‘reparem no que este homem [Pedro Marques] fez, votem nele por favor’. Mas votem nele por favor para quê? Para ele ir para o Parlamento Europeu com o mesmo nível de atuação e o mesmo nível de performance que teve aqui em Portugal? Não escolheram bem”, frisou Rui Rio.

O líder do PSD sublinha ainda que embora o País tenha mais liberdade, o Governo apresenta “um nível de investimento público absolutamente desastrado”.

Rui Rio garante ainda que o PSD irá apostar numa lista ao Parlamento Europeu com candidatos que tenham vontade de fazer a diferença. “E uma das formas de mostrar o contrário não é apostar em quem já deu provas que não consegue, que é o caso do cabeça de lista Pedro Marques, do Partido Socialista, mas apostar em quem tem um futuro à sua frente e a vontade de trabalhar”, referiu.

Portugal deve ter excedente orçamental em tempos de crescimento económico

Rui Rio destaca também que Portugal tem de saber construir um Orçamento do Estado que tenha um excedente nas contas em tempos de crescimento económico, o que nunca foi feito em 45 anos. “Com crescimento económico temos de conseguir construir o nosso orçamento de forma a ter superavit nas contas. Porque, se não tivermos superavit nas contas quando há crescimento económico, nós não temos condições de não ter défice nas contas quando não há crescimento económico”, disse.

Para o Presidente do PSD, em tempos de crise, quando não há crescimento económico, Portugal deve ter défice nas contas, embora “controlado”. “Aumentam os subsídios de desemprego, baixam as contribuições para a Segurança Social e isso nós devemos, pura e simplesmente, deixar que fique em défice”, assinalou.

Mas para isso, para haver um défice controlado em tempos de crise, “quando temos crescimento económico, temos de ter superavit”, reafirmou.

“E foi este ‘trade off’ que ao longo de 45 anos [desde o 25 de Abril de 1974] nunca se fez. E é assim que temos de preparar o país, para que o país seja equilibrado e atenue as crises, temos de ter mecanismos de defesa que nos permitam que o sofrimento decorrente dessa crise económica seja o menor possível e esses preparam-se em períodos de crescimento económico”, insistiu o líder do PSD.

Rui Rio defende, entre outras propostas que quer ver concretizadas pela União Europeia, a existência de fundos estruturais “com objetivo do reequilíbrio das contas nacionais” de cada país, a “solidariedade” entre estados-membros da UE em assumir “parte dos subsídios de desemprego”, quando o desemprego aumenta “muito” e “algo que não existe e é absolutamente fundamental, que é o fundo de garantia de depósitos”.

A Universidade Europa é uma iniciativa conjunta do PSD, JSD, Instituto Francisco Sá Carneiro e do Partido Popular Europeu.