A pandemia de covid-19 que atinge o País está a ter consequências nefastas no acesso dos portugueses ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), como o demonstram os mais de quatro milhões de consultas que ficaram por realizar e as mais de 100 mil cirurgias adiadas. É no rastreio do cancro da mama, particularmente no distrito de Bragança, que a situação se reveste “de maior gravidade”, “onde a oferta alternativa de entidades prestadoras destes serviços é mais débil e onde a população (incluindo as do sexo feminino) tem uma média de idades mais elevada”.

Numa pergunta à ministra da Saúde, os deputados do PSD começam por considerar “totalmente inaceitável que, decorridos quase quatro meses desde a retoma dos rastreios do cancro da mama no resto do País, a Liga Portuguesa Contra o Cancro continue, há mais de seis meses, sem assegurar a realização desses exames na região Norte, para mais, sabendo-se que, todos os anos, são detetados cerca de 6 mil cancros da mama e que, todos os dias, morrem quatro mulheres” vítimas da doença.

O PSD alerta que “os programas de diagnóstico precoce, designadamente na área das doenças oncológicas, sofreram este ano uma quebra abrupta, a qual se traduziu numa significativa redução dos rastreios efetuados às populações de risco”.

O PSD estima que 75 mil exames tenham sido adiados, ficando por diagnosticar mais de 15 mil casos de cancro da mama, “uma situação que está a gerar uma crescente inquietação nas populações do Norte do País”.

“Com efeito, enquanto que, na generalidade do País, os rastreios foram sendo progressivamente retomados desde o passado mês de junho, tal não sucedeu na região de saúde do Norte, onde continuam encerradas as unidades onde se realizavam rastreios de cancro da mama”, reiteram os deputados.

O PSD pergunta:

  1. Tem o Governo conhecimento de que a região de saúde do Norte está há mais de 6 meses sem rastreio do cancro da mama, que deveria ser feito pela Liga Portuguesa Contra o Cancro, com apoios de entidades públicas, nomeadamente do Ministério da Saúde?
  2. Que justificação oferece o Governo para esta gravíssima violação do direito à proteção da saúde das mulheres residentes no Distrito de Bragança?
  3. Em que data serão reiniciados os rastreios do cancro da mama neste Distrito?
  4. Existe algum plano de recuperação de exames atrasados, devidamente quantificado e calendarizado? Se sim, quando será divulgado e disponibilizado publicamente?
  5. A interrupção destes rastreios deve-se à Pandemia covid-19 ou há outros motivos?