O cabeça de lista do PSD acusa o Primeiro-Ministro de ter “dois amores que em nada são iguais”, juntando-se ao BE e PCP em Lisboa e tentando uma aliança com os liberais em Bruxelas. “Quando vejo António Costa em Portugal a ligar-se à ‘geringonça’ e em Bruxelas a piscar o olho, a dar abraços e beijinhos aos liberais, só me ocorre uma velha canção popular: António Costa tem dois amores, que em nada são iguais, uns são socialistas e os outros são liberais”, afirmou o eurodeputado, num almoço-comício em Tondela, esta quarta-feira.

Paulo Rangel atribui a António Costa “mais uma manobra de oportunismo eleitoral” e de “ginástica ideológica”, depois de na segunda-feira o Primeiro-Ministro se ter reunido com o Presidente francês. “A questão é de tal ordem séria que ontem [terça-feira] Pedro Nuno Santos foi a um comício e introduziu uma rutura na campanha socialista ao dizer que os socialistas tinham de fazer uma escolha entre socialistas e liberais. Já hoje, Pedro Marques veio baralhar tudo outra vez e dizer que os socialistas estão disponíveis para se coligar com os liberais e, pasme-se, até com o PPE, que diziam estar do lado da direita radical”, criticou.

O eurodeputado defende que o PS não pode querer “governar em Portugal com a extrema-esquerda e querer estar na Europa com os liberais”, dizendo “haver duas caras neste PS”. “Em política não vale tudo. Não vale António Costa dizer uma coisa e o seu contrário, não vale pôr os seus ministros a dizer o contrário e uma coisa, e não vale pôr o seu candidato a dizer tudo ao contrário e o contrário de tudo”, acusou, qualificando o PS “um partido à deriva que não sabe o que há de seguir”.

O cabeça de lista do PSD voltou a apelar ao voto útil nas eleições europeias. “Só há uma força política em condições de dar a António Costa o que ele sempre teve em eleições, que é uma derrota. Só nós estamos em condições de derrotar António Costa no domingo”, expressou.

Luís Filipe Menezes desafia PS a trazer ex-líderes à campanha

No almoço desta quarta-feira, Luís Filipe Menezes desafiou o PS a trazer antigos líderes socialistas para a campanha, isto se “não têm nada a esconder”. “Do PS não exijo que venha o engenheiro Guterres, da mesma maneira que não faria sentido Durão Barroso vir. Mas o PS tem ex-líderes livres para vir, podem dar o exemplo que estamos a dar. Um chama-se Vítor Constâncio: aquele senhor que é o responsável número um pelo descalabro do sistema financeiro em Portugal. E pode trazer também uma pessoa especialmente desocupada, uma pessoa enxuta, que é o dr. António José Seguro”, desafiou, dizendo que este último “ganhou eleições”, ao contrário de António Costa.

Luís Filipe Menezes manifestou apoio ao cabeça de lista do social-democrata. “Comparar o nosso cabeça de lista com o cabeça de lista do PS era a mesma coisa que comprar um Ferrari com um calhambeque todo arrombado, a arrastar-se e a ser empurrado para conseguir andar meio metro”, referiu.

O ex-Presidente do PSD abordou os discursos do comício da noite de terça-feira do PS, em Aveiro, lamentando que a secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, tenha criticado a presença de Pedro Passos Coelho na campanha do PSD. “O PS devia ter a humildade de reconhecer que deixou o País à beira da anexação e da ruína, nunca devia falar de Pedro Passos Coelho, por muitos que tenham sido os erros e omissões do seu Governo”, afirmou.

Luís Filipe Menezes censurou ainda a intervenção do ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos. “Fiquei pasmado com o discurso. Começou a dizer que se ia penitenciar de alguns erros e omissões do ciclo de poder socialista e o que fez foi pedir desculpa das privatizações que o PS fez”, disse, desafiando-o a explicar se pretende “voltar ao modelo da União Soviética” e nacionalizar o sistema financeiro e de seguros.