O cabeça de lista do PSD às europeias manifesta uma “preocupação enorme” quanto à preparação da presente época de incêndios, estranhando que em dois anos o Governo “não tenha conseguido” resolver os problemas de organização, de chefia e até das comunicações entre os meios de proteção civil e de emergência.

No final de um voo de helicóptero de cerca de uma hora pelas zonas ardidas em 2017, esta terça-feira – com destaque para as áreas de Pedrógão, Pampilhosa da Serra, Oliveira do Hospital, Tábua e Lousã –, Paulo Rangel criticou os sinais “inaceitáveis” de incapacidade do Governo. “Estamos a abrir a época de fogos. Com a experiência traumática e trágica que tivemos em 2017, com a questão de 2018, com os fogos de Monchique (…) infelizmente, mesmo nestas áreas ardidas, e não se vê muito trabalho de recuperação, de ordenação da floresta, de modo a podermos estar descansados. Em toda esta região vemos que está a regenerar-se o eucalipto. Sem qualquer gestão vai se acumular combustível que, em dois ou três anos, pode permitir que haja propagação de incêndios com grande violência e dificuldade de controlo”, alertou o candidato, no aeródromo da Lousã.

Acompanhado pelo especialista Xavier Viegas, diretor do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais, Paulo Rangel recorda que “estamos praticamente a abrir a época de fogos, e as preocupações são enormes”. “O Governo não pode descurar a segurança das pessoas”, alertou.

Para Paulo Rangel, tudo isto mostra a “incompetência e incapacidade de previsão”. “Desejamos que tudo corra bem, mas com este tipo de impreparação, evidentemente que as coisas podem acontecer”, insistiu.

Assinalando que, no manifesto eleitoral, o PSD defende a criação de uma Força Europeia de Proteção Civil, o eurodeputado reforçou as preocupações de Xavier Viegas de que “as mudanças que se veem no terreno são poucas”, quer nas instalações elétricas quer na mancha de eucaliptos “que está claramente a crescer”.

Questionado se uma eventual nacionalização do SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal) será uma solução, Paulo Rangel defende que “o que é preciso é que no terreno as pessoas tenham uma resposta”. “Os portugueses não querem saber se o SIRESP é público ou é privado, querem é que preste um bom serviço aos cidadãos”, observou.

O cabeça de lista do PSD lembra que “houve sempre uma irritação do Primeiro-Ministro com o SIRESP”, considerando que os relatórios mostram “que não tinha assim tanta razão” e questionou o ‘timing’ das negociações entre o Governo e esta entidade. “Dois anos para tomar esta decisão? O Primeiro-Ministro já diaboliza do SIRESP há dois anos e nesses dois anos não foram capazes de fazer nada. Chegamos a 14 de maio 2019 e estamos como estávamos em outubro de 2017”, criticou.

Durante o voo de helicóptero, Xavier Viegas foi apontando a Paulo Rangel os locais onde eclodiram os incêndios de junho e outubro de 2017 e exemplos de estradas e aldeias onde se registaram vítimas mortais e também, na área de Oliveira do Hospital, a zona industrial que sofreu grande prejuízos.

Paulo Rangel mostrou-se impressionado com a área ardida e, nas regiões dos incêndios de outubro, preocupado com a falta de novas árvores, a que o investigador de Coimbra respondeu com a falta de gestão no ordenamento do território.