O PSD pediu, esta quinta-feira, esclarecimentos, por escrito, à administração do Novo Banco que permitam “comprovar a justiça da transferência de 850 milhões de euros do Fundo de Resolução” para esta instituição.

Duarte Pacheco, deputado do PSD, anunciou que, depois de Rui Rio ter feito no debate quinzenal “perguntas pertinentes” ao Primeiro-Ministro, que “não obtiveram resposta”, o PSD quer ter acesso à documentação sobre a gestão do banco, nomeadamente em relação à venda de crédito malparado e carteira de imóveis. “Por isso mesmo, o PSD, antes que qualquer audição ocorra em sede parlamentar, dirigiu desde já uma carta à administração do Novo Banco, pedindo que nos seja enviada esta informação”, afirmou.

Assim, os deputados do PSD querem explicações sobre três questões concretas: “porque é que determinado património foi vendido abaixo do preço do mercado; porque é que carteiras de créditos antes consideradas positivas, de repente, se transformaram em negativas; e quem foram os compradores, quem beneficiou com esta alienação?”

O coordenador da Comissão de Orçamento, Finanças rejeita que o Novo Banco seja uma manobra político-mediática, mas de escrutínio político e de interesse público, feita em nome da “transparência e do rigor das contas públicas”. “Nenhum português entende que 850 milhões de euros sejam utilizados sem que seja avaliado como foi gasto e porquê. Se isso é uma manobra política, então não sei mais o que se fará com dinheiro público”, apontou.

Sobre se o PSD admite pedir uma audição parlamentar presencial à administração do Novo Banco, Duarte Pacheco referiu que será mais útil que esta aconteça depois de chegar a informação agora requerida. “Se perguntarmos ao presidente do Novo Banco se vendeu algum crédito ao desbarato a resposta será não e termina a audição e fica tudo por esclarecer. Se a informação for enviada previamente, permite aos deputados analisá-la e depois confrontar a administração”, disse, considerando que é o Novo Banco o principal interessado em que tudo seja esclarecido.

Duarte Pacheco disse estar confiante que, depois da disponibilidade manifestada esta quinta-feira, “decerto a administração do Novo Banco fará com que essa informação chegue brevemente ao Parlamento e corresponderá positivamente à carta do PSD”.