Revitalizar o PSD contando com todos, abrir o partido aos melhores da sociedade e, honrando a matriz social-democrata, enfrentar os desafios do Portugal presente e futuro. Os objetivos para a nova liderança foram apresentados pelo Presidente eleito, Rui Rio, no arranque do 37.º Congresso Nacional. A homenagem ao legado social-democrata não deixou de ser feita pelo Presidente – para dizer que, dada a sua história, o PSD tem o dever de liderar as transformações da sociedade, dialogando mas rejeitando qualquer bloco central

 

Comigo à frente do partido, iremos sempre fazer uma evolução em harmonia com a nossa história – sem ferir os nossos princípios de sempre, sem confrontos geracionais, sem sobressaltos ideológicos e sem ruturas desnecessárias”, prometeu Rui Rio no 37.º Congresso Nacional do PSD que se iniciou esta sexta-feira.

O Presidente eleito dirigiu a sua primeira intervenção ao partido, saudando os militantes que, na sua maioria, defendeu, “serviram com honra e altruísmo” o País. “Nas freguesias, nos municípios, nas Regiões Autónomas, no Parlamento, no Governo, nos sindicatos, nas próprias comissões de trabalhadores ou nas associações de estudantes, milhares de militantes social-democratas serviram de forma delicada o nosso País, ao longo da nossa história”, disse. Legado e evolução são duas das orientações do novo Presidente para a liderança partidária, num momento em que Rui Rio promete adaptar aos dias de hoje a matriz social-democrata.

Uma atualização que passa pelo reforço do espírito de missão dos partidos políticos, a começar pelo PSD. “Os partidos existem para servir o País, não existem para dar corpo às suas pequenas táticas, nem aos interesses dos seus dirigentes”. “Nada deve condicionar a melhor decisão por Portugal”, defendeu.

De resto, o caminho do Partido Social Democrata passará pela reafirmação de uma aliança entre princípios, valores e coerência com a ideologia do PSD. “Tal como em maio de 74, os nossos princípios e os nossos objetivos permanecem os mesmos. É por estes valores que lutamos. É por esta sociedade que queremos continuar a trabalhar, buscando as soluções mais adequadas aos problemas da atualidade”, referiu.

Demarcando-se da atual solução governativa, Rui Rio aconselhou o partido a “resistir sempre ao discurso fácil e politicamente correto”, da demagogia, do executivo mais preocupado “em mostrar-se do que em fazer”. “A demagogia, que é na prática a arma dos incapazes, tem de ser corajosamente combatida, porque ela é uma das principais ameaças à própria democracia”, disse Rui Rio.

O rigor é apontado pelo novo Presidente como marca da vida interna do partido, já que, “contas partidárias equilibradas e recursos disponíveis otimizados têm, também, de fazer parte das regras de conduta quotidiana de quem, propondo-se governar Portugal, tem de começar por dar o exemplo certo e correto dentro da sua própria casa”, destacou. O exemplo de transparência e uma reflexão séria, sobre os fenómenos extremistas na Europa, contribuirão para que o PSD consiga reaproximar os cidadãos que se distanciaram da vida política.

 

PSD saberá ter abertura ao diálogo sem bloco central

A liderança que agora se inicia é de abertura ao diálogo, afirmou Rui Rio na noite desta sexta-feira. Perante os “estrangulamentos estruturais” de Portugal, “um partido que põe o País em primeiro lugar é um partido disponível para, em nome do superior interesse nacional procurar dialogar e resolver com os outros o que sozinho conseguirá com a indispensável eficácia”, advogou.

Recordando a máxima de Francisco Sá Carneiro de colocar o interesse do País à frente de todos os outros, Rui Rio defendeu também – e primeiro – uma abertura do PSD à sociedade: “Temos de substituir, por exemplo, os vetos de gaveta à entrada de novos militantes por medo de se poder perder a pequena influência local, pela entrada livre de todos os portugueses, que, revendo-se nos nossos princípios ideológicos e situando-se no centro do espectro político nacional, pretendam militar de forma séria e desinteressada no PSD”, afirmou. O líder social-democrata exortou o partido a abrir a sua intervenção aos ativos da sociedade civil com provas dadas de mérito profissional.

Reforçado o quadro interno, o objetivo do PSD será “sempre ganhar”. Numa mensagem dirigida ao espectro partidário, Rui Rio não deixou margem para dúvidas: “o PSD é um grande partido de poder”, “sempre que nos candidatamos, o nosso imperativo é sermos os primeiros”. Em matéria de combate eleitoral, Rui Rio pediu que a preparação para as próximas autárquicas se inicie já para devolver ao PSD a força eleitoral que sustenta a sua implantação autárquica em todo o País.

Mas os resultados eleitorais não ditarão uma aliança de governo com o Partido Socialista. “Uma coisa é estarmos disponíveis para dialogar democraticamente com os outros e cooperarmos na busca de soluções para os graves problemas nacionais, que, de outra forma, não é possível resolver”. Mas reiterou: “coisa diferente é estarmos disponíveis para nos subordinarmos aos interesses de outros. O PSD só está subordinado a um interesse: ao interesse de Portugal”.

Criticando a força da coligação parlamentar de extrema-esquerda, Rui Rio apontou que não fazem sentido declarações de membros da geringonça sobre a sua robustez e um eventual bloco central. “Perdem tempo com o que não existe nem existirá”, referiu.

 

“PSD apresentar-se-á aos portugueses como uma alternativa forte e credível

Endurecendo o tom das críticas, o líder social-democrata acusou a maioria parlamentar de ter “uma segurança que, em vez de cimento armado, usa cartão e cola para segurar a sua consciência”.

O PSD apresentar-se-á aos portugueses como uma alternativa forte e credível a esta governação presa à extrema-esquerda”, que considera não ter “possibilidades de enfrentar e, muito menos de resolver, as tais deficiências” estruturais do País.

Coragem, consistência e coerência política” são os elementos que Rui Rio aponta como fundamentais para o futuro de Portugal. “Um futuro que não vive angustiado com as oscilações dos indicadores conjunturais, porque, com sentido de responsabilidade, soube construir a robustez necessária para termos um Estado forte e uma sociedade livre, dinâmica e criativa”, concluiu.

 

Reformas estruturais na agenda de Rui Rio

Impõe-se que o poder político assuma que está na hora de levar a cabo as reformas estruturais necessárias, capazes de voltar a construir um genuíno contrato de confiança entre os cidadãos e a democracia”, pediu Rui Rio aos congressistas, enumerando alguns dos pilares sobre os quais importa atuar – as reformas do sistema político e da justiça, a descentralização com valorização do interior.

Rui Rio não deixou de homenagear o Presidente cessante e o seu adversário na campanha interna. Sobre Pedro Passos Coelho, Rui Rio considerou que o balanço destes oito anos como líder do PSD registará não “as críticas”, mas “um trabalho de governação que a história reterá como de salvação nacional em face da situação que, sem qualquer responsabilidade, herdou”. “Caro Pedro, em nome do nosso partido, muito obrigado pelo que fizeste por Portugal”, reafirmou o novo líder social-democrata.

De Pedro Santana Lopes, o Presidente eleito reiterou “a coragem e a humildade democrática” com que se apresentou no combate político interno. “Cumpriu mais um ato de militância ativa e empenhada”, acrescentou, dedicando-lhe uma parte da vitória.