Antes de ser candidato por Viana do Castelo, tive a experiência e a honra de ter servido nos últimos dez anos a população de Valença como Presidente da Câmara Municipal. Este cargo fez-me também ocupar funções na Comunidade Intermunicipal do Alto Minho. Uma década de experiências – e profundo conhecimento do território – que me permitem alertar para o facto de estarmos em risco de perder a batalha contra o despovoamento da região pois, por muito que tal seja prioridade para os autarcas, as medidas ao nível do Governo, para fazer face a tal, têm sido meramente paliativas.

Desde logo, acredito que temos de incentivar fortemente a economia local e isso poderá passar por benefícios fiscais – para lá daqueles que os municípios já promovem – que não sejam “beneficiozinhos”.  É essencial captar o investimento privado para assim aumentar a criação de emprego e podermos ter a capacidade de fixar e ter a capacidade de atrair novos residentes. Não se vai lá com pequenos apoios ao regresso dos emigrantes que depois, na prática, em nada de concreto se traduz. Precisamos de fortes incentivos fiscais para assim beneficiar a economia local e alavancar o crescimento económico.

Mas também, por outro lado, não podemos dizer que queremos combater o despovoamento dos territórios e, simultaneamente, fazer uma sangria dos serviços de proximidade essenciais para a população. Os habitantes do Alto Minho não podem ter um hospital distrital em que dependem do dia e hora em que vão para saber se têm especialistas. Tal acontece com regularidade e o encaminhamento é obrigatório para Braga e para o Porto, sobrecarregando o serviço nestas unidades.

É de lamentar que nesta legislatura da “Gerigonça” nada tenha sido feito na área social, em especial, no apoio à terceira idade. Esta é uma das áreas deprimentes nos últimos quatro anos, período em que não foi feito nada em concreto por parte do governo nesta matéria, não só majorando os apoios às IPSS, mas, sobretudo, ao nível da criação de novas vagas em instituições para a terceira idade. O Governo anunciou a sua intenção de aumentar o número de camas, com o famoso programa Pares, mas na realidade, no distrito de Viana do Castelo, passaram quatro anos e nada aconteceu. Por outro lado, não podemos, por exemplo, não ter oferta suficiente de creches e berçários quando se pretende que a natalidade aumente no território, ou que as famílias e as empresas se instalem no distrito.

Não podemos retirar dos territórios que se pretende repovoar os serviços públicos essenciais para a vida diária das pessoas.

O despovoamento dos territórios, que acabará por levar à desertificação só se pode combater com uma efetiva política de proximidade. E tal exige uma mudança relativamente a estes últimos quatro anos. Por tal aceitei o desafio de ser candidato por Viana do Castelo, tentando dar o meu contributo nesta luta que não é da região. É de todo o país.

Jorge Mendes
Cabeça de lista do PSD pelo círculo de Viana do Castelo