“O Governo montou um circo mediático e colocou-se de um dos lados da barricada” muito antes do início da greve de motoristas, lembrou Rui Rio, esta sexta-feira, acusando o Executivo de procurar “tirar dividendos políticos”, semeando “o caos e o drama”. “O PSD apela à boa fé de ambas as partes, dos sindicatos e entidade patronal, e à isenção do Governo, de modo a que possa ser um árbitro a sério”.

Antes do início da greve, em vez de fomentar o diálogo, o Governo encetou uma trajetória que custou aos portugueses “demasiados prejuízos e alarme social”, como, de resto, uma radicalização que já antes das eleições europeias tinha ensaiado.

O Presidente do PSD recordou a atitude do Partido, a contrastar com a exposição mediática excessiva do Governo: nos dias 8 de agosto, 10 de agosto e 14 de agosto, os social-democratas apelaram à boa fé de todos os envolvidos neste conflito.

Enquanto isso, o Governo “dizia que mediava mas, ao mesmo tempo, ia semeando o alarmismo na sociedade” e “os ministros iam dando a greve como inevitável”. Mas “as pessoas começaram a entender que o Governo não era isento” e, “ao quarto dia de greve” o Executivo “pára com as ameaças” e começa então a “empenhar-se a sério a fomentar o diálogo e a ser mais imparcial”.

“O PSD sempre defendeu isto que agora começou a acontecer”, recordou Rui Rio, sobre as declarações feitas pelo Vice-Presidente David Justino e pelo próprio Presidente, através da sua conta no Twitter.

 

É preciso olhar para as condições de trabalho dos motoristas

Rui Rio sublinha ainda que “o clima pré-eleitoral não favorece a sensatez”, porque “o Governo está a gerir este dossier mais preocupado com a popularidade” e não em resolver o problema, que afetou já a vida dos portugueses, a economia e quem está no setor dos combustíveis. Rui Rio aponta ainda que, caso o Governo volte a falhar como mediador deste conflito, “pode o senhor Presidente da República ser o árbrito”.

Rui Rio deixa ainda outro apelo para futuro, destacando que esta greve colocou à vista as condições de trabalho dos motoristas. “Que estas negociações olhem para os salários dos trabalhadores, mas também para as condições em que estes homens e mulheres trabalham”. “Fiquei particularmente impressionado com a falta de dignidade do trabalho destas pessoas”, rematou.