No almoço-comício desta terça-feira, em Ansião, distrito de Leiria, Paulo Rangel, condenou as “escolhas erradas” do Governo, que preferiu desinvestir nos serviços públicos essenciais para manter “as contas certas”. “O problema que se põe hoje em Portugal é que este Governo, para cumprir as metas europeias, os tais desígnios do Eurogrupo, tem de fazer escolhas políticas: uma das que fez foi claramente uma escolha errada”, apontou, acusando o Governo de ter optado por “secar, abandonar, dispensar, negligenciar” os serviços públicos essenciais.

Dando como exemplos as situações “caóticas” que se verificam na saúde, nos transportes públicos, na proteção civil, na atribuição de pensões ou até na renovação do cartão de cidadão, Paulo Rangel pediu aos eleitores que aproveitem as europeias do próximo domingo para “dar uma lição” ao Primeiro-Ministro. “Este é o primeiro teste nacional a António Costa desde que é Primeiro-Ministro. Vamos dar um enorme cartão amarelo, uma enorme lição à arrogância e petulância e aparente superioridade moral de António Costa”, apelou.

Para Paulo Rangel, as eleições ao Parlamento Europeu podem funcionar como “um dois em um”. “Por um lado, escolher as melhores ideias e protagonistas europeus; por outro, dar o tal cartão amarelo ao Governo PS e António Costa. Há também aqui uma oportunidade que não devemos perder de castigar, de censurar as escolhas políticas do PS”, defendeu.

Paulo Rangel recorreu às declarações da presidente da Entidade Reguladora da Saúde, que fala em falta de meios, para retomar as críticas às falhas em várias áreas dos serviços públicos. Depois de uma visita ao pinhal de Leiria, o candidato insistiu que esta degradação se estendeu à área Proteção Civil e à capacidade de combater e prevenir os incêndios e salvaguardar pessoas e bens. “É de uma floresta negra que se trata e que vai de Alcobaça e Pombal”, notou.

Manuela Ferreira Leite: Governo está a “levar o País à desagregação”

Durante o almoço, a antiga líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, preveniu que o nível histórico mínimo de investimento público está a “levar o País à desagregação”, uma realidade que está “à vista” e que o Governo tem dificuldades em “encobrir”. “Está à vista de todos, mas também percebo a preocupação dos responsáveis do Governo neste momento. É que é muito difícil escamotear e encobrir tudo aquilo que está à vista”, disse.

Manuela Ferreira Leite entende que “não é aceitável”, mas é “lastimável” que o Primeiro-Ministro afirme “que não sabe” o que os eurodeputados “faziam no Parlamento Europeu”. Para Manuela Ferreira Leite, “se não sabia, [António Costa] tinha a obrigação de saber”. “Não é aceitável que haja um Primeiro-Ministro de um país, em que o país participa nas decisões que se passam nesse fórum, que haja tantos problemas importantíssimos, dos quais nós temos tido também um papel muito importante na resolução desses problemas, e que diga que não ouviu falar de nada”, declarou.

Sobre as eleições ao Parlamento Europeu, Manuela Ferreira Leite deseja que os portugueses “estejam atentos”, porque há “sintomas” de que o processo europeu, que tem sido “positivo”, pode “não continuar neste ritmo tão positivo”. Além da saída do Reino Unido da União Europeia, outro fator de preocupação é o possível reforço de posições extremistas no Parlamento Europeu que podem “abanar” o pilar democrático da Europa. “É bom que tenhamos essa consciência para não pensarmos que os extremismos de esquerda podem resolver de alguma forma aquilo que é o perigo dos extremismos de direita”, advertiu, considerando que os “extremismos de esquerda vão lá para criticar”.

A ex-ministra das Finanças manifestou “grande apoio” à “lista de luxo” social-democrata ao Parlamento Europeu, admitindo “alguma emoção” por estar a participar nesta enérgica iniciativa de campanha do PSD.