Lídia Pereira defende que deve ser a Europa a liderar o combate às alterações climáticas e aponta como prioridades a limpeza dos oceanos e a aposta na transição energética. A candidata número dois do PSD ao Parlamento Europeu aplaude a mobilização dos jovens nesta causa, que se traduzirá numa greve mundial de estudantes pelo clima na sexta-feira. “Vejo uma juventude mobilizada num assunto que lhes toca, porque põe em causa esta geração e as gerações futuras”, considera, lembrando que o PSD “foi um partido pioneiro” nestes temas com personalidades como Carlos Pimenta ou Macário Correia.

Admite que, se ainda fosse estudante, se poderia juntar a uma destas greves, mas empenhar-se-ia mais na mobilização de colegas e amigos, por entender que a mudança parte também muito dos comportamentos individuais.

No plano global, apela uma posição de liderança da União Europeia. “Se não for a Europa a ter a liderança nesta questão… a Ásia não trata o plástico, nos Estados Unidos há uma semana Mike Pompeo [secretário de Estado] dizia que o degelo no Ártico é uma oportunidade económica. Se nós não pegarmos nesta causa de uma vez por todas, não vamos conseguir avançar”, alertou.

Quanto às propostas do PSD no manifesto eleitoral, a candidata destaca duas muito emblemáticas. “Uma das que mais tenho falado é a ‘Missão Oceano Limpo’, uma iniciativa com os territórios ultraperiféricos, Açores e Madeira, para que liderem uma ação de recolha de plástico, através de tecnologias ainda em desenvolvimento”, apontou. Outra prioridade será na transição energética para as energias renováveis, salientando que Portugal “é um país privilegiado” no número de horas de sol, por exemplo. “Temos uma oportunidade, só temos de aproveitar e usar bem os fundos comunitários disponíveis”, acrescentou.

Continuar o trabalho de sensibilização nas escolas e ser “mais exigente” com a forma como as empresas tratam o ambiente são outras prioridades. “Fiquei chocada por saber que, para fazer um telemóvel, são precisos quase 12 mil litros de água e nós trocamos [de aparelho] quase todos os anos”, contou.

A aposta nos transportes públicos “de qualidade” para que as pessoas larguem o carro é também um objetivo, e dá exemplos europeus que conhece. “Em Bruxelas [onde vive e trabalha], uso só transportes públicos. Tinha um carro, um citadino, mas raramente usava, é uma cidade muito bem servida de transportes. Quando vivi no Luxemburgo também, lá aos fins de semana os transportes públicos eram gratuitos. Mas eram transportes públicos de qualidade, a pessoa tem gosto em andar neles”, afirmou.

Em Lisboa, comparou, por vezes “é preciso esperar sete ou oito minutos pelo metro e depois está cheio”, considerando que a recente redução dos passes sociais “faz sentido”, mas não com “um mau serviço”. “Isso não é justo, nem as pessoas merecem”, concluiu.