Os deputados do PSD por Aveiro acabam de questionar a ministra da Saúde sobre falhas na formação de médicos escalados para as urgências do Centro Hospitalar do Baixo Vouga.

Os deputados social-democratas dão eco às denúncias do Sindicato dos Médicos da Zona Centro, que tornou público que há médicos sem formação em suporte avançado de vida (SAV) a acolher doentes emergentes no Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV), designadamente no Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro.

De acordo com o PSD, a pandemia expôs a insuficiência de médicos nos Serviços de Urgência. Porém, no caso do CHBV, a insuficiência de médicos no Serviço de Medicina Interna, bem como em outros serviços, já era conhecida antes do surto de covid-19. Como consequência, os procedimentos adotados, no sentido de prevenir contágios em contexto hospitalar, conduziram à exaustão das equipas, escassas em recursos humanos, para garantirem dois serviços de Urgência diferenciados a funcionar em simultâneo (covid e não covid).

O PSD afirma ainda que perante o agravamento da situação, o Conselho de Administração do CHBV, que terá chegado a equacionar o encerramento de algumas valências essenciais à população, decidiu colocar médicos tarefeiros a cumprir as escalas de urgência covid.

Ora, segundo foi denunciado por aquele sindicado, a maioria desses médicos tarefeiros não têm formação em suporte avançado de vida.

“O Conselho de Administração, consciente deste défice, terá adotado a solução no sentido de assegurar a plenitude do funcionamento do Hospital Infante D. Pedro. Porém, no entender do sindicado, da Ordem dos Médicos e da generalidade dos profissionais de saúde, a medida implementada poderá comprometer a qualidade do atendimento médico aos doentes em estado crítico”, assinalam dos deputados.

O Centro Hospitalar do Baixo Vouga integras as unidades do Hospital Infante D. Pedro (Aveiro), Hospital Distrital de Águeda e Hospital Visconde de Salreu em Estarreja. A sua área de influência abrange nove concelhos do distrito de Aveiro: Águeda, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Murtosa, Oliveira do Bairro, Sever do Vouga e Vagos.

O PSD pergunta:

  1. O Ministério da Saúde tem conhecimento das condições em que os utentes estão a ser acolhidos nos serviços de Urgência, designadamente se profissionais sem formação em SAV se encontram a ser orientados por médicos devidamente qualificados?
  2. Perante a eventualidade de uma segunda vaga, que poderá coincidir com o plano de contingência da gripe sazonal, que medidas específicas estão a ser preparadas pelo Ministério da Saúde para reorganizar o SNS de forma a colocar, nos serviços de Urgência, o número de profissionais necessários ao seu bom funcionamento?
  3. O Ministério da Saúde está a estudar medidas que permitam proporcionar formação adequada, em SAV, de modo a alargar o universo de profissionais habilitados para acolher doentes críticos em serviços de urgência?