Num mundo cada vez mais global e numa Europa onde a livre circulação de pessoas é uma realidade, a temática das comunidades portuguesas tem vindo a ganhar contornos bem diferentes e a conquistar uma visibilidade junto da opinião pública que começa, agora, a entender finalmente a importância da diáspora para o país.

Esta nova visão tem muito a ver com a crise que o país conheceu e que obrigou vários sectores da nossa sociedade a terem de reconhecer o papel que as nossas comunidades assumem na economia nacional. Esta importância das nossas comunidades é hoje comprovada não apenas no plano das exportações, do turismo, do imobiliário e do investimento, mas também na abertura de oportunidades de vida para muitos que não conseguem construir o seu futuro em Portugal.

Todavia, o contributo das comunidades portuguesas para Portugal vai muito para além da área económica. Com efeito, estamos a falar de um universo de cerca de cinco milhões de nacionais espalhados pelos diversos continentes que se afirmou positivamente nos países de acolhimento e que é, hoje, detentor de um potencial político, económico, social e cultural, que não pode, nem deve ser negligenciado.

É assim evidente que o país não pode deixar de fora das políticas nacionais, estes cidadãos que residem no estrangeiro e que têm de sentir que Portugal conta realmente com eles e que quem Governa tem em consideração as suas necessidades e os seus anseios.

É, pois, do interesse nacional que este sector seja percecionado como um valor estratégico para o país e Portugal deve ver as suas comunidades como uma oportunidade, devendo a ação governativa na área das comunidades ter a noção das novas realidades deste sector e a necessidade de implementar políticas a pensar nas pessoas. É essa a visão do PSD para esta área.

Pensamos também que as políticas dirigidas aos portugueses residentes no estrangeiro não devem estar confinadas apenas ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e à Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas. Esta é uma área transversal a todas as áreas da governação e é, pois, fundamental uma ação governativa concertada a fim de garantir que as decisões tomadas, no plano legislativo, tenham em consideração as especificidades dos portugueses residentes no estrangeiro.

O PSD tem estado associado às grandes reformas nesta área de governação e temas como a participação cívica e política, o ensino da língua portuguesa no estrangeiro, o associativismo, a juventude, as questões sociais, as questões do atendimento e dos serviços consulares, o empreendedorismo empresarial, entre outros, estiveram sempre no topo das nossas preocupações.

Por tudo isto, as comunidades portuguesas não podem continuar a merecer a atenção governativa nos moldes que temos conhecido em que têm um papel secundário naquilo que são as prioridades do atual Governo.

As políticas dirigidas aos portugueses residentes no estrangeiro não se devem resumir apenas a ideias feitas que não se inscrevem naquela que é a verdadeira realidade de um país que tem de assumir definitivamente que está repartido pelo Mundo. A Globalidade que se reconhece estar associada a um país como Portugal é-lhe conferida não apenas pela sua História, mas sobretudo pelo papel das nossas comunidades portuguesas espalhadas pelo Mundo.

Assim, quando pensamos em Portugal temos de pensar nesta realidade e definir políticas que abranjam, que impliquem e que motivem os portugueses residentes no estrangeiro na relação com o seu país.

Como já tive oportunidade de referir em muitas ocasiões, Portugal não é o seu país, é o seu povo. É por isso que o PSD ao definir como tema de campanha “Portugal Primeiro” aponta precisamente para essa ideia. Portugal está em todo o Mundo pois as suas comunidades são o complemento de um país que será mais forte e mais capaz se conseguir consolidar esta relação entre os que ficaram e aqueles que optaram por partir, mas que continuam a sentir o nosso país no seu coração.

Carlos Gonçalves
Cabeça de lista do PSD pelo círculo da Europa