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Manuel Pinto Teixeira: Líder do PSD não alinha na política espetáculo
03 de Setembro de 2018
Manuel Pinto Teixeira: Líder do PSD não alinha na política espetáculo

1. É do senso comum que agosto é o mês por excelência dedicado às férias. A sociedade moderna desde há muito que concentra o descanso anual neste período, e todas as atividades - com exceção do turismo - são reduzidas ao mínimo. 
A vida política, incluindo todos os órgãos de soberania, não escapa a esta tendência. E por isso os média acusam também a secura das suas principais fontes de notícias, procurando alternativas à medida da própria "silly season". 

É neste vazio de informação substantiva que comentadores e ditos analistas políticos se agarram desesperadamente a "faits divers", para tentarem impor os seus dogmas, e as suas iluminadas profecias. E quem resiste a entrar na dança da "política pirotécnica" é espicaçado até aos limites, com os feiticeiros das tribunas mediáticas a entrar em evidente histerismo público. 

2. Mas por mais que se apregoe o contrário, os políticos não são todos iguais. E desde há muitos anos que Rui Rio é conhecido, entre outras singularidades, por não alinhar nos tentadores viras do folclore político. Para ele, a intervenção política só faz sentido como instrumento de serviço público. 

É por isso que o seu silêncio de agosto irritou tanto os animadores da agitação política. 

Não espanta que vários dos ditos profissionais da "análise política" o tenham esconjurado dia sim, dia não, semana a semana, por não ter empunhado o megafone de líder da Oposição para, em plena tragédia de Monchique, fustigar o Governo, e lavar as próprias mãos nas lágrimas das vítimas do fogo. Outrossim se pode dizer da ausência da sua voz no coro dos protestos contra as crónicas deficiências do serviço público (não) prestado pela CP de norte a sul do país. 

3. Afinal, os portugueses valorizariam mais Rui Rio se ele rompesse por entre as chamas de Monchique para levantar o dedo acusatório contra quem tem a obrigação de garantir a segurança de pessoas e bens, enquanto milhares de pessoas choravam os haveres que o fogo lhes devorava? Acreditariam mais nas suas propostas de investimento público na ferrovia se ele andasse a saltaricar entre estações encerradas e apeadeiros reduzidos a silvados? Quem conhece bem o líder do PSD sabe que a política espetáculo nunca entrará na sua ementa para mobilização dos portugueses. Bem podem os adversários de Rui Rio, dentro ou fora do partido, rasgar as suas vestes e dilacerarem a sua militância contra esta forma de estar e fazer política que não conseguirão demovê-lo do seu projeto programático. Rio só pretende demonstrar aos portugueses que o país precisa de políticos que dignifiquem a política, e que verdadeiramente contribuam para resolver os problemas dos nossos compatriotas.

Artigo de Manuel Pinto Teixeira, vogal da CPN, no Jornal de Notícias de 1 de setembro de 2018