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“Se houvesse um milagre económico como diz o Governo, seria possível repor o poder de compra dos salários”
16 de Abril de 2018
“Se houvesse um milagre económico como diz o Governo, seria possível repor o poder de compra dos salários”

 

Rui Rio, no encerramento do 25º Congresso da JSD, focou “quatro pontos fundamentais” no que respeita ao Programa de Estabilidade. Criticou, assim, a ação governativa que penaliza o investimento e prima por autoelogios quando Portugal é dos países que menos cresce na União Europeia

 

A variável para que Portugal possa crescer é, justamente, a que mais vai cair”, alertou este domingo o Presidente do PSD quando, no 25º Congresso da Juventude Social Democrata (JSD), quis elencar aquilo que definiu como “quatro pontos fundamentais” no que respeita ao Programa de Estabilidade apresentado pela atual solução governativa, na sexta-feira. Explicou que o País deve “crescer pelo investimento e pelas exportações, mas “este Governo faz, exatamente, o contrário”. Em vez de baixar o IRC, aumentou-o e criou um IRC adicional para empresas “que têm mais de 35 milhões de euros de lucro”, exemplificou. E salientou: “o lucro é bom, porque faz crescer as empresas e faz andar a economia”.

Rui Rio deixou bem claro que “jamais o PSD pode defender um regresso aos erros do passado”. Numa crítica dirigida ao PCP e ao BE, e referindo “estar a favor da redução do défice público”, afirmou, contudo, discordar da “forma como o Governo o tem conseguido”: “através do aumento da receita fiscal e da carga fiscal que está implícita”. Reiterou, assim, que o equilíbrio do orçamento está a ser conseguido através do pagamento de mais impostos, “ou seja, através da via mais penalizadora para o crescimento económico”.

Sobre os autoelogios de quem governa a propósito do aumento do emprego e da descida do desemprego, o líder do PSD sublinhou que a produtividade e a competitividade do País estão a baixar. “Estamos a pagar mais baixos salários; estamos a criar emprego, mas de baixo perfil”. E dirigindo-se aos jovens presentes no Congresso apontou que, ao terminarem o Ensino Superior, “não conseguem um salário de acordo com aquilo que é a justa ambição num país que está, desde 1986, plenamente integrado na Europa”. Foi neste sentido que deixou como que um desafio: “é bom que a economia portuguesa comece a criar emprego que eleve a produtividade”.

No quarto ponto a propósito do Programa de Estabilidade, o Presidente do PSD chamou a atenção: “os funcionários públicos vão ver, este ano, mais uma vez o seu poder de compra reduzido, por força da inflação”. Considerando que o Executivo se refere com frequência a um “milagre económico”, lembrou que se fosse “como o Governo diz, seria possível repor o poder de compra dos salários”: “não há milagre, há uma melhoria, mas tão fraca que ainda não permite fazer aquilo que qualquer governo quer fazer que é aumentar, ou pelo menos aguentar, o poder de compra dos funcionários público”. Lembrando o dinheiro que tem sido investido na banca, perguntou: “porque é que o Governo se recusa a dizer aos portugueses quem foram aqueles credores, hoje devedores da banca, que ficaram com o nosso dinheiro?”.

 

JSD deve “lutar para que Portugal faça as reformas necessárias

Rui Rio recordou, na sua intervenção, o último dia em que tinha falado num congresso da JSD. Fora aos 29 anos, em 1986. Manifestou, este domingo e agora enquanto Presidente do PSD, solidariedade relativamente a preocupações que têm sido apontadas pela estrutura. Falou, por isso, sobre as rendas elevadas a que os estudantes do Ensino Superior estão sujeitos; sobre os problemas com que estagiários se têm deparado em determinadas empresas quando lhes é pedido que devolvam o dinheiro relativo à Segurança Social; e ainda sobre o facto de não ser “correto, nem justo” que recém-formados tenham de pagar pelo reconhecimento de competências, quando o Ministério da Educação já o fez.

O líder do PSD reiterou, ainda, a disponibilidade do PSD para fazer “com os outros aquilo que, só com os outros é possível fazer” em prol do interesse do País, mas sublinhou: “outra coisa é apontarmos os erros que o Governo vai fazendo e os condicionamentos que vai estabelecendo por força da sua governação”. Disse que cabe também à JSD “lutar para que Portugal faça as reformas necessárias para que o futuro seja mais risonho do que é o presente”. Aludindo às reformas da Justiça, do Estado, do sistema político ou da Segurança Social, deixou claro: “o futuro é vosso e nós temos a obrigação de o preparar o melhor possível”.

Assumindo-se “um defensor das organizações políticas de juventude em Portugal”, o líder do PSD caracterizou-as como “absolutamente fundamentais”, pois são “uma porta aberta para que a juventude possa entrar na política”. Felicitou Margarida Balseiro Lopes por ter sido eleita Presidente da JSD. “Tem-se revelado uma deputada de primeira linha que tem um enorme potencial à sua frente”, disse.

 

 

 

 

25.º Congresso da JSD