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Incêndios de junho: “O Estado falhou e faltou a estas pessoas”
05 de Dezembro de 2017
Incêndios de junho: “O Estado falhou e faltou a estas pessoas”

As pessoas nesta região de Pedrógão foram deixadas sozinhas, o sistema de Proteção Civil (PC) não funcionou, não comunicou entre si”, referiu esta terça-feira Duarte Marques, na audição aos membros da Comissão Técnica Independente (CTI) responsáveis pelo relatório sobre os incêndios de junho. “Se há conclusão a tirar é que o Estado falhou e faltou a estas pessoas”, acrescentou.

Infelizmente, nem tudo o que este Governo está a fazer é o que recomendaram”, denunciou o deputado, depois de ter analisado o relatório. Alertou que a CTI poderá ser responsabilizada, “porque o Governo diz que está a fazer o que recomendaram”.  

Segundo o deputado, “todas as transformações feitas na PC, na preparação da época, no recrutamento de operacionais e aluguer de meios foram uma irresponsabilidade e expuseram o País”. Afirmou ter a “clara convicção de que se estas alterações não tivessem sido feitas, muito mais poderia ter sido feito para evitar” a tragédia a que os portugueses assistiram.

Duarte Marques lançou diversas questões à CTI. “Percebemos pelo vosso relatório que nem todos os meios foram ativados”, assinalou, acrescentando a necessidade de se investir tanto no ataque inicial, como no ataque ampliado e que tais medidas podem “fazer a diferença”.

Lembrou que “uma das grandes críticas” patente no relatório tem que ver com o procedimento para recrutamento dos dirigentes. Criticou, assim, o facto de ser apenas necessário ter uma licenciatura, independentemente da área em que for, e recordou que a proposta do PSD para que o recrutamento fosse feito através de concurso público foi chumbada.

O social-democrata abordou, também, as falhas do SIRESP. “Sabemos que, durante 2016, foram publicados dois relatórios, não compreendemos como nada foi feito para corrigir”, assinalou, acrescentando que, “muitas vezes, os bombeiros e a PC já não contam com o SIRESP porque sabem que vai falhar”.

A comunicação desenvolvida pela Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) foi também alvo de críticas, pois, de acordo com Duarte Marques, os “briefings diários” funcionaram como “uma espécie de lei da rolha”, em que o número de meios e operacionais, no terreno, anunciados não tinham que ver com a realidade. “A expectativa que se criava era sempre superior ao real”, disse, informando que tal gerava um “sentimento de desconfiança”.